Na estrada para a Bolívia. Ao deixar o Rio, visitei a exposição sobre Miles Davis, no Centro Cultural do Banco do Brasil: Queremos Miles.
Não resisti, porque o admiro há muitos anos. Morava com músicos, era ainda um jovem jornalista, no fim da década dos 50, quando ouvi Round about Midnight, intepretada por Miles.
Senti que fui lançado num espaço estranho e subterrâneo. Nunca tinha ouvido nada tão interessante e que me parecesse tão novo.
A exposição foi organizada pela Cité de La Musique, de Paris, em sintonia com familiares e curadores da obra de Miles.Tem belos retratos de Miles, tirados por Irving Penn e Ane Leibovitz, entre outros. Há trompetes que ele usou, casacos e até algumas imagens em que aparece treinando boxe, um esporte que o atraia.
Sai agradecido por ver a riqueza de uma vida artística também pela sua capacidade de agregar talentos de outros campos. Artistas plásticos, cineastas, fotógrafos, todos os que se aproximaram dele parecem ter ganho uma nova inspiração por estarem tabalhando com Miles Davis.
Miles Davis são rejeitou o rock roll e o funk. Soube usar e descartar o que ia aparecendo pelo caminho. E isso comunicou uma grande dinâmica à sua carreira.
No material filmado, foi bom rever alguns trechos de Ascensor para o Cadafalso, um filme de Louis Malle, um dos expoentes da Nouvelle Vague francesa. Miles tocava em Paris, na época, e foi convidado a fazer a trilha sonora que dá o toque de mistério ao filme e acompanha os passos de Jeanne Moreau, a estrela do filme, ainda jovem.
Depressões, mergulhos na droga, houve épocas que o paralisaram. Mas, estimulado por amigos e admiradores de seu talento, seguiu em frente e se recuperou, muitas vezes, para a música.
A exposição mostra a origem de Miles, filho de um dentista da cidade de East St Louis no Ilinois. Como menino da classe média foi aconselhado a estudar violino mas optou pelo trompete. Não era um humilde artista negro. Pelo contrário, o uso de óculos escuros nas suas apresentações representava uma atitude de desafio.
Para quem gosta da história da música americana, a mostra transforma-se também numa retrospectiva fotográfica do jazz com imagens de Charlie Parker a todos os outros grandes nomes que surgiram e, de alguma forma, se associaram a Miles. Sua parceria com Gil Evans, pianista de origem canadense, é enfatizada como uma das mais decisivas e bem sucedidas.
Através de corredores escuros, o som de Miles Davis era ouvido em quase todos os cômodos. Tirei algumas fotos e fui informado que era proibido. Perguntei se mesmo sem flash era proibido. Disseram que sim.
Como já havia disparado a câmera três vezes, não creio ser uma grande transgressão mostrar o que vi nos primeiros momentos da visita à bela exposição que, na verdade, não é só sobre Miles Davis mas também sobre um largo período da arte contemporânea ocidental.





Comment
Gabeira,
Não deixe o PV fazer a burrice de colocar Aspásia Camargo, em 2012, como candidata a prefeitura do Rio de Janeiro. O Partido Verde precisa, sim, apoiar Marcelo Freixo (PSOL) como candidato a prefeitura do Rio; necessita apoiá-lo para o bem da população carioca!
Apoiem o Freixo! Vamos tirar o atual prefeito – aquele Eduardo Paes, o apóstolo de Sergio Cabral – , e finalmente eleger um político à altura para administrar o Rio.
Aspásia NÃO, Freixo SIM! Afinal, quem é Aspásia? Para mim, apenas a senhora dos óculos com pose de culta.