La Paz – Terminado o trabalho no fim da tarde, um curto descanso para almoço e banho. A Bolívia é um pais fascinante, pelas cores, indumentárias, arquitetura.
O primeiro impulso é sair fotografando tudo. Mas com o tempo, você percebe que é uma armadilha. O ideal é olhar um pouco, perspectivar, vencer a atração das cores exuberantes como Ulisses venceu o canto da sereia.
Não é preciso se amarrar no barco. O trabalho não permite digressões. Acordei ao amanhecer, pois o relógio deles é uma hora atrasado.
Primeira tarefa foi tentar uma vista da cidade. Na noite da chegada, bem que fiz uma foto das luzes lá embaixo. Não me agradou e não podia ficar retendo o taxi no escuro, numa estrada que sequer conhecia.
Outra armadilha aqui é o trabalho intenso, logo na chegada. Acompanhei a manifestação pró Evo Morales, subindo e descendo ladeira com os índios. Esqueci da altitude. Só no meio da tarde, com um calor muito forte, me dei conta de que o ar estava curto.
Já me aconteceu em Bogotá. Passei um dia andando de um lado para outro . No princípio cadê o ar?
Os acontecimento aqui tendem a se acalmar. Os índios que faziam a marcha, reprimida pelo governo, se reagruparam e retomam o caminho. Devem chegar em La Paz no dia 15, véspera das eleições na justiça.
Trabalhei com um motorista que é adepto do governo. Nos demos bem. Mas ele é um pouco devagar. Motorista para trabalhar em reportagem precisa ser quase maluco.
Juan Carlos se perdeu com o rumo da marcha indígena e acabei deixando-o pelo caminho. Grande sensação no hotel: molhar o rosto e tirar o casaco.
Agora entendo melhor os jogadores brasileiros que reclamam da altura. De fato, é preciso um período de adaptação.
As coisas aqui ficaram complicadas não só pela marcha que foi reprimida na Amazônia boliviana. Em janeiro, queriam aumentar a gasolina no país e houve um movimento de protesto, o gasolinaço.
Parece que a inflação avança e como o governo não anuncia números é difícil fazer o diagnóstico correto da situação econômica.
De todas as formas, a Bolívia cresceu e está crescendo no rítmo de 4% ao ano. Hoje vou procurar mais gente, visitar mais lugares. Sei que voltarei um dia, não quero abarcar tudo numa só viagem. Domingo, de novo no Brasil. E quem sabe, na semana que vem, a sonhada viagem de estudos na Amazônia, a brasileira, talvez com um pequeno pedaço da colombiana.






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