Em artigo publicado no New York Times, Bernard Aronson, depois de muitos elogios ao crescimento do Brasil afirma que nosso país pode deter a produção da bomba atômica no Irã.
Sua proposta é simples: o Brasil deixaria de enriquecer urânio e faria um apelo a todas as outras nações que também desistissem dessa prática e usassem urânio enriquecido fornecido através da Agência de Energia Atômica.
Mesmo para um ecologista que se coloca contra a produção de bombas e até a própria geração de energia nuclear, a proposta parece ingênua.
O Brasil produz urânio enriquecido e tem até expectativas de exportá-lo. A posição brasileira sobre o Irã tem sido a de reconhecer seu direito de fazer o mesmo.
O fato de o Brasil ser signatário do Tratado de Não Proliferação não o capacita a ser um líder nesse campo por várias razões. A primeira delas é a própria resistência brasileira em assinar a extensão do tratado, permitindo a agência que faça inspeções de surpresa em quaisquer instalações.
O governo brasileiro apoia-se na lentidão do desarmamento das grandes potências e duvida se a ideia de desarmar não é unilateral, voltada apenas para alguns países emergentes.
Na questão nuclear, militares e Partido dos Trabalhadores convergem. Nenhum dos dois defende a produção de uma bomba. Mas entre eles há quem ache que o Brasil deveria ter a capacidade de produzi-la.
Uma política que estimule a desnuclearização no mundo seria possível, na hipótese da vitória de Marina Silva. Mas mesmo nesse caso, não seria razoável congelar os esforços de paises em desevolvimento, sem nenhum poder de influenciar o ritmo do desarmamento nos paises que estão com seus depósitos abarrotados de ogivas nucleares.
O caso do Irã segue sendo o centro das tensões mundiais nos próximos meses. O Brasil mudou o tom, de Lula para Dilma, mas permanece na defesa de seu programa nuclear iraniano.
A proposta de Berenson teria sentido se o Brasil considerasse como parte de sua política pela paz uma cruzada contra a proliferação. Mas é uma ilusão pensar que uma política desse tipo seria dirigida apenas aos emergentes. Ainda mais com a força das correntes internas que defendem
não a bomba mas a o know-how para produzi-la.
A posição brasileira não mudará tanto a qualidade do processo como mudaria a posição das grandes potências nucleares, se dessem passos firmes e inequívocos rumo ao desarmamento.
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