Hoje é dia decisivo para prender o suspeito de um atentado em Toulouse, na França. Três crianças judias e um professor foram assasinados por um terrorista.
O suspeito de 24 anos está cercado. Chama-se Mohammed Merah, é de origem argelina e teria feito treinamentos na Al Qaeda.
O Ministro francês, Claude Guéant, afirma que é praticamente certo que Mohammed cometeu os assassinatos.
Cerca de 200 policiais da inteligência se deslocaram para o lugar, onde analisam videos, ouvem testemunhas e estudam a cena do crime.
O presidente da França, Nicolas Sarcozy, declarou que é impossível matar criancas sem esperar punição severa. Mas está preocupado com a possibilidade de uma reação anti-muçulmana na França, o que terminaria por envenenar a atmosfera já carregada pelos debates na sucessão presidencial.
Ao que tudo indica, o raciocínio de Muhammed é o mesmo dos terroristas da Al Quaeda: matar crianças é uma forma de vingar a morte das crianças mortas na Palestina e outros países árabes.
Quando participei de um debate sobre a peça Os Justos , de Camus, ressaltei a diferença essencial entre os terroristas do século passado e os de agora.
Os terroristas, na peça de Camus, abortam a primeira tentativa de explodir a carruagem do arquiduque Francisco Ferdinando, porque havia crianças e mulheres dentro dela.
Hoje, existe uma tese entre extremistas que se dizem muçulmanos defendendo a morte de crianças, mulheres, estrangeiros que estejam de passagem, todo mundo. O argumento é de que não há inocentes no mundo ocidental.
O atentado contra a escola de Toulouse é mais um capítulo de horror produzido pela lógica de um extremismo desesperado.
Uma reação anti-muçulmana só vai agravar o problema. A França terá de ir fundo na tentativa de serenar os ânimos e isolar os extremistas.
Tarefa muito difícil num processo eleitoral em que os ataques a imigrantes são tema de campanha de Marine Le Pen, a candidata da extrema direita.



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