Não é fácil a busca da verdade numa operação secreta, como a que matou Bin Laden. Você, como latino, está nas mãos da imprensa anglo-saxônica E muitas vêzes há discordâncias entre ela. O caso da cumplicidade do Paquistão na presença de Bin Laden em Abbuttabad é típica. Robert Fisk, do Independent, não tem dúvidas de que Bin Laden foi entregue pelo Paquistão que sabia de seu esconderijo. Jason Burke, do Guardian acha que os paquistaneses não sabiam da presença do líder da Al Qaeda. Ambos trabalham na região, Fisk entrevistou o próprio Bin Laden e Burke escreveu um livro sobre a história da Al Qaeda.
Tanto os jornais espanhóis como os franceses estão presentes na cobertura, mas quem investe mais naquela área, colonizada pelos ingleses, agora zona de interesse dos EUA, são os jornais cujos paises têm interesses diretos.
Uma dúvida que tinha, encontrei resposta para ela num debate de Burke com seus leitores. Os Estados Unidos estavam decididos a matar Osama Bin Laden? As primeiras informações eram afirmativas, a tarefa dos mariners era matá-lo. Mas o próprio governo americano desmentiu isto, dizendo que se Bin Laden saisse com uma bandeira branca , seria feito prisioneiro.
Não há garantia de que estejam falando a verdade. Mas Burke no seu conhecimento da luta contra a Al Qaeda afirma que , quando estavam na pista de Bin Laden, os americanos chegaram a treinar alguém para dizer a ele quais eram seus direitos, após o ato da prisão. Era Jack Cloonan, um antigo agente do FBI, que trabalhava na missão.
Outra notícia que os próprios norte-americanos desmentiram: a morte da mulher de Bin Laden na operação. E isto correu o mundo. As matérias diziam que Bin Laden a usou como escudo humano. Alguns jornais usaram a no título: Covarde até o fim.
A versao mais cômoda seria esta. No entanto, há sobreviventes do confronto e eles podem falar no futuro. Além disso, 74 pessoas estavam diretamente envolvida na operação, se contarmos os dois helicópteros que funcionavam como cobertura.
Os Estados Unidos são os vencedores e devem contar a história. Mas mesmo com a supremacia da narrativa é preciso tomar alguns cuidados para que os jornalistas mais críticos não se sintam apenas divulgando uma propaganda. Talvez um relato oficial e circunstanciado resolva todas as pequenas dúvidas.



Comment
Muito bem, Gabeira. Dessa vez eu gostei da sua analise. Bem balanceada. Não saiu papagaiando as mentiras americanas, como nossos congressistas costumam fazer. Mostrou que pensa por conta própria. Agora, só falta ter esse mesmo bom senso a respeito de Israel.