Desde quando foi anunciada a agenda da Rio+20, vários cientistas e intelectuais ciriticaram seus limites. Faltam mudanças climáticas e diversidade, dizem eles.
Os jornais noticiam essa crítica sem explicar um pouco como foi concebida a agenda. Com isso dão a sensação de que os organizadores são incompetentes e ignorantes porque não conseguiram ponderar temas tão importantes.
A coisa não é bem assim. A noticia fica menos sensacional, quando se explica que a agenda foi discutida com cuidado e a ausência de mudanças climáticas e biodiversidade tem uma razão muito clara: os temas já dispoêm de conferências especificas.
No caso das mudanças climáticas, acabou de acontecer o encontro de Durban que adiou algumas decisões importantes. Se no espaço específico da conferência, o tema não avançou, como esperar que seja resolvido pela Rio+20 que não organizou reuniões preparatórias e negociações sobre mudanças climáticas?
A China e os Estados Unidos fizeram uma longa aproximação diplomatica e conseguiram resultados em suas negociações por perceberem que certos temas, por mais importantes, podem ser deixados de lado algum tempo, para que outros menores sejam resolvidos.
A suposição é a de que tratando o que pode se tornar consensual, ganha-se força para a solução dos problemas que parecem insolúveis.
É uma lógica. Pode ser contestada, como qualquer outra lógica. Mas não é o que os jornais mostram: uma lacuna da qual ninguém se deu conta.
Anthony Guiddens no Globo afirma que não existe economia verde em lugar nenhum. Ele é da London School of Economics, muito prestigiada, mesmo depois de se tornar amiga íntima e receber ajuda de Kadafi.
Ninguém afirma que existe economia verde. Mas a própria Inglaterra conseguiu crescer, reduzindo emissões. Isso não é economia verde mas um bom passo na transição para ela.
Esse é o problema com o pessoal do outro mundo é possível. Eles querem que a Conferência Rio+20 desenhe os contornos de um novo mundo. Pedem que o modelo capitalismo seja transformado.
É impossível pensar que chefes de estado vão se reunir apenas para condenar o capitalismo e afirmar um mundo totalmente novo, concebido nos acampamentos e ocupações.
Porisso, sempre se fala em transição para a economia de baixo carbono, para a sustentabilidade.
É ótimo que intelectuais e cientistas opinem assim como todos os que se interessam pelo futuro do planeta.
É ingênuo pensar que mudanças climáticas não estão na agenda porque alguém esqueceu de colocá-las. Ou que o mundo sairá com um desenho novo do Rio, sem discutir os modestos passos de uma transição, algo que realmente pode ser feito agora.



Leave a reply