Desde ontem se fala no manifesto de Anders Bhering Breivik ,autor do atentado que matou 93 pessoas na Noruega.
É um manifesto de 1.500 páginas se intitula Proclamação da Independência da Europa. É muito difícil achar num manifesto a explicação real do atentado.
Segundo as pessoas que o analisaram em confronto com os textos de Unabomber, o matemático americano Theodore Kaczynski, que enviava bombas e fez um manifesto contra a sociedade industrial, há trechos idênticos.
No caso norueguês, Anders Bhering explica educamente sua origem, diz que o seu sobrenome vem da palavra urso, e acrescenta atores diferentes de Unabomber, que se dirigia contra cientistas, a engenharia genética e outros setores que, segundo ele, ameaçavam a liberdade humana.
Anders Bhering coloca o islamismo como um grande perigo, ao lado de todo o processo de emigração, sem o qual a Europa não teria avançado como avançou.
Essa avaliação não está longe da que fazem muitos partidos de direita na Europa. E nem por isso explodem bombas.
O caminho de Unabomber, a julgar pelo que escreveu, tem semelhança com a das pessoas que temiam as máquinas e as destruiam, no início do processo de industrialização.
Pelo que observei entre os sobreviventes na ilha de Utoya, muitos eram cabeças pretas, uma expressão usada para definir os estrangeiros. Pareciam descendentes de imigrantes e, certamente, estavam mais à vontade na juventude social-democrata.
Anders mencionou o multiculturalismo como um inimigo mortal da Europa. E certamente o viu na diversidade do campo de verão em Utoya.
No meio da semana, pretendo tratar do multiculturalismo num artigo mais longo. A primeira secretaria multicultural num governo foi criada na Alemanha, numa coligação entre verdes e social-democratas.
O sucesso da política multiculturalista hoje é muito discutido. Inclusive a primeira-ministra Ângela Merkel a condenou.
Um episódio que teve muita repercussão, por exemplo, foi a decisão francesa de proibir o uso do véu muçulmano na escolas. O que foi considerado uma derrota do tipo de política que estimulava a afirmação de identidades culturais.
O tema multiculturalismo assim como do avanço da ciência e tecnologia pode suscitar muitos debates.
Na cabeça de Unibomber e de Anders Bhering foram apenas um pretexto para matar.
Logo, suponho que as causas desses atentados não devam ser buscadas no discurso de seus atores, mas sim no labirinto sombrio de suas mentes.



2 Comments
[…] O terror e seu discurso […]
É inevitável a queda das fronteiras. Separaram os paises até agora mas não vai ser assim daqui pra frente. Quem viver verá…