Morreu Vaclav Havel, o escritor dissidente que liderou a Revolução de Veludo e presidiu a Techoeslováquia na sua transição para a democracia.
Havel morreu em sua casa de campo, aos 75 anos, como consequência de doenças respiratórias. Ele foi operado de câncer do pulmão, há alguns anos, depois de fumar muito tempo.
Mesmo nos últimos dias, manteve sua disposição de dissidente. Recebeu o Dalai-Lama e enviou mensagem de apoio aos russos que protestam contra a manipulação eleitoral.
Autor de 19 peças de teatro e inúmeros ensaios, Havel foi um resistente de coragem. Durante cinco anos frequentou as prisões do regime, teve suas obras proibidas e passou duas décadas sob vigilância da polícia política.
Tornou-se presidente da Techeslováquia no curso da Revolução de Veludo e depois da separação da Eslováquia, elegeu-se presidente da República Tcheca.
Para um estadista, Havel era muito próximo da contra cultura. Recebeu Frank Zappa, conversava longamente com Mike Jagger e gostava também de ouvir jazz.
Sua primeira condenação foi por ter subscrito a Carta dos 77. Era um documento assinado por 232 pessoas, pedindo aos direitos humanos, dentro dos termos dos Acordos de Helsinqui.
Isto lhe valeu uma condenação de quatro anos e meio. Uma pena tão desproposital que indignou até partidos comunistas, como o francês.
Segundo seus assesores, Havel teve dificuldades de passar da condição de dissidente para a de estadista. A fidelidade aos princípios é muito mais fácil na resistência do que na condução da política de um país.
Conheço suas idéias, através de um livro publicado na França: Interrogatório à Distância, uma longa entrevista que concedeu a Karel Hvizdala.
Não há espaço para resenhar seu livro, mas algumas de suas ideias, merecem destaque, pelo menos ao meu juizo.
Eles não tratam apenas da luta contra tiranias de esquerda ou direita, contra as quais Havel sempre se colocou. Mas tratam da política interna dos países, eleições por exemplo.
Mas antes disso, destaco sua afirmação mais geral;
-Houve um tempo em que eram socialistas todos os que simpatizavam com os oprimidos e humilhados, todos os que se opunham a vantagens imerecidas, a privilégios hereditários, à injustiça social e as barreiras imorais a que os homens eram obrigados a se submeter, perdendo sua dignidade. Fui socialista nesse sentido “moral” e “afetivo” e continuo sendo, só que não defino mais minhas posições por esse termo”
Quanto às eleições:
Penso que seria melhor eleger individuos e não partidos,desde que possam cumprir a missão política; escolher homens politicos que conquistam o voto dos eleitores graças à sua personalidade e não como favoritos de um mega aparelho.
E finalmente:
-Os partidos não deveriam participar diretamente do poder pois e aí que nasce a burocratização, a corrupção e attitudes antidemocráticas. Deveriam ser uma inspiração para os eleitos, criar as condições de seu desenvolvimento intelectual.
Essa era a utopia pessoal de Vaclav Havel. Ele não gostava de falar disso. Enfatizou procurou o que era preciso reter de essencial na sua posição:



4 Comments
Se isso é utopia, eu quero a utopia!
O Cartum
Os cartuns são recebidos pelo sistema nervoso central (SNC) que os distribui rapidamente. Parte deles ou parte das primeiras vibrações merece urgência face o grau de risco. É o sistema nervoso autônomo (SNA) sendo despertado para os primeiros relampejos. Assim, quando uma derme atinge um metal quente, estímulos imediatos se fazem necessários para que a pessoa retire rapidamente a mão da panela quente. Ondas sensoriais são lançadas sobre os cinco sentidos que compõem o circuito nervoso de captação. São eles: formação da imagem na retina (visão), vibração sobre o tímpano (audição), reconhecimento de uma superfície sobre a derme (tato), interpretação das primeiras substâncias que adentram a via aérea através das narinas (olfato) e interpretação das papilas às primeiras substâncias que adentram à boca (paladar). Os três primeiros são mais rápidos e despertam uma área cerebral mais inferior e imediata que é o hipotálamo. Os dois últimos, geralmente requerem maior análise do córtex cerebral.
O circuito nervoso de captação é um sistema ordenado de terminações nervosas. Células nervosas conseguem chegar até o final dos dedos, por exemplo, através de extensas combinações que irão formar uma espécie de cordão. Cada célula nervosa tem extensão gigantesca quando comparada a outras células, são compostas por membrana lipoprotéica e bainha de mielina cujo comprimento pode chegar a centímetros até as extremidades. É o Sistema nervoso periférico (SNP). Cada espaço entre uma célula nervosa e outra é chamado de sinapse.
As sinapses estão presentes tanto no sistema SNC quanto no SNP. Compõem uma espécie de sítio de ligação onde as drogas endógenas e exógenas, também conhecidas como neurotransmissores, que se comunicam dentro de um universo de variedades, sejam capazes formar um potencial iônico. Este potencial, projeta-se velozmente sempre em direção ao SNC e depois se dissolve para áreas mais específicas dentro deste, que são responsáveis pela leitura. Assim, existe uma infinidade de áreas de reconhecimento dos estímulos sensoriais dentro do SNC.
Uma vez recebido o estímulo, os cartuns serão distribuídos, portanto, para as áreas de reconhecimento que, ao fazerem a leitura, irão emitir um parecer para qual será o próximo destino. Os destinos para os quais partem esses cartuns são conhecidos: parte deles segue para o SNA, que compõe o próprio SNC, que comandará uma segunda missão de alerta ou emergência, fazendo com que uma pessoa que tenha se queimado diante de um metal em alta temperatura, inicie agora um processo de corrida até uma água fria. O segundo é direcionado para a parte motora do hipotálamo com a finalidade de que os movimentos ocorram e que as glândulas secretem enzimas e hormônios. Um terceiro é o caminho para o setor mais nobre da mente humana: o córtex cerebral.
O córtex cerebral é a área na porção mais superior do crânio. O cérebro se formou de baixo para cima. Das primeiras micelas, dos répteis seguintes e dos peixes, dos anfíbios e das aves, do besouro ao mais simples dos mamíferos, tudo se deu de baixo para cima. Os legados de Leonardo da Vinci, um dos primeiros a abrir o corpo humano para estudá-lo, deixaram curiosidades em aberto que mais tarde viriam ser estudadas com eletrodos em prisioneiros de guerra.
Desta forma, não é insensato pensar que a parte mais superior seja a mais desenvolvida. Entretanto, para os analistas dos institutos de guerra que cederam ao fato de valer-se de cobaias humanas, uma parte ficou esquecida ou difícil de ser estudada devido à localização craniana. Esta parte é a mais inferior e foi denominada de área da sexualidade. Somos, portanto, sexo em nossa natureza ínfima, somos primitivos ao toque inferior de nossos instintos.
Uma música ou um poema também pode tornar-se um cartum ou até uma paixão. Para compreender como toda essa engenharia se dá, é preciso antes compreender o fenômeno dos neurotransmissores.
Escrevia isso, para tentar demonstrar que não são cartuns como os de Graúna, que seriam capazes de levar revolta ou desordem a alguma parte.
“Não exatamente”
Entendo suas preocupações. Sabe Gabeira, devo lhe dizer que esse seu artigo sobre Havel é mesmo de parar pra pensar. Também acho quatro anos e meio um tempo exagerado. Com este dissidente, fica difícil analisar de perto a questão de qual é o limite para se acertar ou errar. Ser tolerante ou não com um determinado ato.
Em dezembro do ano 2000 a Rede Globo de Televisão apresentou um programa do Antena Paulista. O programa era uma edição especial, que pretendia mostrar quanto que o país perdia com a corrupção. Apresentaram o programa, naquela noite de domingo, os jornalistas Carlos Nascimento e Chico Pinheiro. De excelente performance, o programa terminou por ser visto por um contingente considerável dos doentes torcedores que migravam de “suas mesas redondas” para outros canais. Recordo-me, que cálculos e mais cálculos foram feitos para demonstrar quanto a cidade poderia ganhar, não fossem os atos corruptos a eles agregados. Terminado isso e com um tom admirável e em tempo especial, os jornalistas puderam se despedir transmitindo a sensação de que um combate a corrupção viria.
E veio. Meses depois, um escandaloso esquema de corrupção, lançado sobre camelôs do centro de São Paulo puderam ser vistos e não somente a Rede Globo de Televisão, mas agora diversos veículos escritos e falados. Os jornais da época apontaram o ex-vereador Vicente Viscome e mais outros dois vereadores da Câmara de São Paulo envolvidos. Trabalhou seriamente no assunto, o ex-vereador do PT e deputado Eduardo Cardoso. Se a população não podia espelhar um bálsamo de justiça, podia naqueles atos heróicos de bravos guerreiros ter alguma esperança.
Nesses gestos, não sei ainda bem ao certo porque, parece que o brasileiro se identifica.
Hoje devo dizer que já não sei mais da verdade.
Tempos depois de ter tudo ocorrido, fico me perguntando se muitos de nós não estamos tentando ir um pouco além que os dissidentes, como Havel.
Uma coisa que aprendi com os americanos é que eles nunca fazem como Havel, Geralmente demonstram negociar, oferecem contra-partida e parecem sempre bem intencionados.
O que mancha muito a forma de negociação americana, é que sempre trazem uma questão curiosa… um… “não exatamente”. Expressão mais típica do “jeitinho brasileiro”, o “não exatamente” foi uma expressão trazida pelos milhares de norte-americanos que por aqui passaram. Qualquer coisa dita, era um “queria que fizesse… mas não exatamente”; olhe você deve falar… mas não exatamente falar”. Nunca conseguia entender muito bem esta expressão, cultivada nos filmes e até em desenhos animados.
Assisti, nesses meus últimos vinte anos de hemofilia, muita gente se debatendo para ver e decidir se eu teria ou não meu remédio, que hoje fico tentando medir a distância entre as seqüelas articulares deixadas pelos tratamentos tardios e o perdão ao chamado “sistema” que a ex-advogada do INSS Jorgina estampava nas frases em raro momento que deu entrevista para a televisão.
Se arriscasse lhe dizer algo mais preciso, diria que um é dos sistemas é brasileiro e tem concordância dos tigres, uma segundo é europeu e um terceiro americano.
Visto dessa forma, parece que o Senado tem-se oferecido como uma muralha aos projetos do Estado brasileiro. Sem desmerecer este ou aquele senador, é preciso discutir a reforma política, trazer a público as questões pertinentes a “nova forma” de fazer política, como disse a Senadora Marina Silva para que não venhamos escravizar inocentemente cidadãos brasileiros humildes em detrimento de uns poucos que gostam de ficar por cima.
É isso aí. O Tio Sam rouba. Rouba por cima. E é pelo Senado que ele rouba.
Mas sabe como é… “não exatamente”!
“Não exatamente”
Entendo suas preocupações. Sabe Gabeira, devo lhe dizer que esse seu artigo sobre Havel é mesmo de parar pra pensar. Também acho quatro anos e meio um tempo exagerado. Com este dissidente, fica difícil analisar de perto a questão de qual é o limite para se acertar ou errar. Ser tolerante ou não com um determinado ato.
Em dezembro do ano 2000 a Rede Globo de Televisão apresentou um programa do Antena Paulista. Era uma edição especial, que pretendia mostrar quanto que o país perdia com a corrupção. Apresentaram a matéria, naquela noite de domingo, os jornalistas Carlos Nascimento e Chico Pinheiro. De excelente performance, o programa terminou por ser visto por um contingente considerável dos doentes torcedores que migravam de “suas mesas redondas” para outros canais. Recordo-me, que cálculos e mais cálculos foram feitos para demonstrar quanto a cidade poderia ganhar, não fossem os atos corruptos a eles agregados. Terminado isso e com um tom admirável e em tempo especial, os jornalistas puderam se despedir transmitindo a sensação de que um combate a corrupção viria.
E veio. Meses depois, um escandaloso esquema de corrupção, lançado sobre camelôs do centro de São Paulo puderam ser vistos e não somente a Rede Globo de Televisão, mas agora diversos veículos escritos e falados. Os jornais da época apontaram o ex-vereador Vicente Viscome e mais outros dois vereadores da Câmara de São Paulo envolvidos. Trabalhou seriamente no assunto, o ex-vereador do PT e deputado Eduardo Cardoso. Se a população não podia espelhar um bálsamo de justiça, podia naqueles atos heróicos de bravos guerreiros ter alguma esperança.
Nesses gestos, não sei ainda bem ao certo porque, parece que o brasileiro se identifica.
Hoje devo dizer que já não sei mais da verdade.
Tempos depois de ter tudo ocorrido, fico me perguntando se muitos de nós não estamos tentando ir um pouco além que os dissidentes, como Havel.
Uma coisa que aprendi com os americanos é que eles nunca fazem como Havel, Geralmente demonstram negociar, oferecem contra-partida e parecem sempre bem intencionados.
O que mancha muito a forma de negociação americana, é que sempre trazem uma questão curiosa… um… “não exatamente”. Expressão mais típica do “jeitinho brasileiro”, o “não exatamente” foi uma expressão trazida pelos milhares de norte-americanos que por aqui passaram. Qualquer coisa dita, era um “queria que fizesse… mas não exatamente”; olhe você deve falar… mas não exatamente falar”. Nunca conseguia entender muito bem esta expressão, cultivada nos filmes e até em desenhos animados.
Assisti, nesses meus últimos vinte anos de hemofilia, muita gente se debatendo para ver e decidir se eu teria ou não meu remédio, que hoje fico tentando medir a distância entre as seqüelas articulares deixadas pelos tratamentos tardios e o perdão ao chamado “sistema” que a ex-advogada do INSS Jorgina estampava nas frases em raro momento que deu entrevista para a televisão.
Se arriscasse lhe dizer algo mais preciso, diria que um é dos sistemas é brasileiro e tem concordância dos tigres, uma segundo é europeu e um terceiro americano.
Visto dessa forma, parece que o Senado tem-se oferecido como uma muralha aos projetos do Estado brasileiro. Sem desmerecer este ou aquele senador, é preciso discutir a reforma política, trazer a público as questões pertinentes a “nova forma” de fazer política, como disse a Senadora Marina Silva para que não venhamos escravizar inocentemente cidadãos brasileiros humildes em detrimento de uns poucos que gostam de ficar por cima.
É isso aí. O Tio Sam rouba. Rouba por cima. E é pelo Senado que ele rouba.
Mas sabe como é… “não exatamente”!