Dois milhões de crianças em casa, seis mil escolas fechadas totalmente, cinco mil funcionando parcialmente, trouxeram o debate sobre a crise do continente para a Inglaterra, com o mesmo calor de outras países.
A Inglerra viveu algumas manifestações violentas de estudantes, contra os cortes na educação, mas agora o front se deslocou para os professores.
Os mestres ingleses sentem-se atingidos pelas medidas econômicas restritivas, as mesmas que estão sendo aplicadas em outros países. No momento a preocupação é com a aposentadoria.
O governo vai mudar as regras do jogo. A idade minima para se aposentar será de 66 anos, as contribuições do funcionalismo aumentarão e novos cálculos serao aplicados nos benefícios.
Esses novos cálculos foram criticados pelos manifestantes. Serão baseados não mais no ultimo salário de quem se aposenta, mas numa média dos salários. Uma queda no beneficio, portanto.
A previdência na Inglaterra custa US$50 bilhões por ano, o crescimento econômico pós crise foi de apenas 0,5 por cento e a população envelhece.
Essas variáveis num governo conservador costumam trazer conflitos . Sua tendência é apressar as reformas e, com isso, criar uma grande resistência nacional.
O Primeiro-Ministro, David Cameron, tem metas de economia na previdência e já afirmou que o sistema simplesmente vai quebrar, se continuar como está.
Portugal, Espanha, Irlanda, Grécia, Itália, com algumas variáveis, a Europa parece se engolfar numa única crise.

Manifestação de professores na Inglaterra.(foto AP)
Se comparamos os que se diz nas ruas de Atenas, Londres ou de Madrid, sente-se uma constante na formulação dos protestos: a crise nasceu de erro dos banqueiros e os governos querem, agora, sacrificar os mais vulneráveis.
A greve de professores é uma faca de dois gumes. Milhares de pais tiveram de abandonar seu trabalho para cuidar dos filhos. Os professores estão explicando suas razões. Mas alguns pais afirmam que trabalham para pagar impostos e mover a máquina estatal. Se deixam forçadamente seu trabalho, a situação piora para todos.
A imagem de manifestantes ensanguentados , ontem, em Atenas, assim como os grupos incendiários nas ruas, demonstram que há um túnel escuro, antes do fim da crise.


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