Com a aceitação pelos aeronautas da proposta de aumento de 6,50% em seus salários a greve nos aeroportos não chegou a acontecer.
Como os aeroviários, os que trabalham em terra, não tinham ainda aceitado nenhuma proposta mais ampla, tentaram fazer a greve sozinhos.
O Sindicato Nacional dos Aeroviários tem sede no Rio resolveu iniciar a paralisação na tarde de ontem, mas a Infraero abriu alguns portões para os que queriam trabalhar.
O resultado foi um atraso em 24 por cento nos voos. É um atraso menor do que no ano passado. Não foi o caos esperado.
Quem viaja e está cansado não costuma fazer comparações com o ano anterior. É o presente que interessa.
Véspera de Natal não é um período para greves. Mas, nesse momento, os sindicatos se sentem mais fortes.
Examinando as reivindicações , vê-se que não têm nada de extraordinário. Queriam 7% de aumento médio, obtiveram 6,50%. O pessoal de terra conseguiu ampliar o piso de R$1 mil para R$1.100.
Numa aviação que cresce em ritmo superior ao crescimento da própria infraestrutura, há duas razões fortes para desejar um aumento justo para os que trabalham no setor. Uma delas é o lucro das empresas; a outra, é a sobrecarga de trabalho provocada por um crescimento desordenado.
Uma questão dessas precisa ser decidida durante o ano, ainda que a data para o acordo seja em dezembro.
Atrasos nos vôos costumam acontecer ao longo do ano, por vários motivos. O melhor caminho é discutir revisões salariais procurando estabelecer uma solidariedade entre os sofrem com as condições de trabalho e os passageiros, que também vivem suas dificuldades durante todo o ano.
Vou esperar, no Galeão, uma criança de um ano que viaja com a mãe. Como ela, quantas crianças não estão se deslocando hoje?
Os sindicatos têm sua dinâmica própria, mas as greves triunfam mais pela simpatia política que despertam do que pelo transtorno que causam. Os aeronautas e aeroviários têm suas famílias e, nesse momento, é importante pensar nelas e criar um novo roteiro de negociações em 2012.



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