A televisão mostrou esta semana imagens de crianças mergulhado na enxurrada em Realengo.
O locutor estava apreensivo com a saúde e segurança delas. E quem não fica? Há dois anos, fotografei crianças mergulhando no rio de Trizidela do Norte, Maranhão, após chuvas torrenciais.
É difícil negar que para crianças que andam livremente pela rua as chuvas e as enxurradas são uma atração.
Acontece que tanto em Realengo como em Xerem, neste último com mais nitidez, a água parecia suja, transportando muito lixo.
Essa combinação de chuva e lixo facilita a proliferação de ratos e o perigo da leptoespirose, uma bactéria encontrada na urina dos ratos e de outros animais.
[lightbox_gallery][lightbox_img_first src=”http://lavorare.net.br/gabeiracom/wp-content/uploads/2013/01/blog145.jpg” title=”Crianças na enxurrada em Trizidela do Norte, Maranhão.” rel=”lightbox1″][lightbox_img src=”http://lavorare.net.br/gabeiracom/wp-content/uploads/2013/01/menina3.jpg” title=”O mergulho nas águas do rio, após a chuva.” rel=”lightbox1″][lightbox_img src=”http://lavorare.net.br/gabeiracom/wp-content/uploads/2013/01/blog229.jpg” title=”title” rel=”lightbox1″][/lightbox_gallery]
Ela tem a forma de um saca rolha e penetra na pele. Essas coisas precisam ser discutidas nas escolas, pois é a maneira mais eficaz de preparar as crianças.
Em Brasília já existe uma lei prevendo o ensino de defesa civil nas escolas. Tentei levá-la a vereadores no Rio e em Petrópolis para que adotassem a ideia.
O ensino de defesa civil nas escolas não protege apenas as crianças. Ele as prepara para aconselhar os pais, tanto na prevenção como nos momentos em que é preciso se abrigar.
Dificilmente teremos governos preparados paras os eventos extremos, considerando o nível de descompromisso e corrupção na política.
A preparação das crianças e das comunidades mais vulneráveis, não substitui a ação do governo. Mas transforma um desastre natural em algo menos devastador.
E Trizidela as crianças mergulhavam num rio familiar a elas, só que um pouco mais cheio e caudaloso por causa das chuvas. Não houve nenhuma epidemia.
Mas numa zona urbana, num período de calor, com muito lixo acumulado, as pessoas que caminham pelas águas se expõem a muitos problemas de saúde.
No momento em que as grandes chuvas começam a cair, seria interessante avaliar o nível de preparação das comunidades vulneráveis.
Conheci algumas, em São Gonçalo, que já tinham algum nível de organização: lugar onde manter os barcos, lista de pessoas que não podem se locomover, enfim uma série de informações que fazem a diferença no momento decisivo.
Esse estímulo deve partir do governo. Mas creio que as rádios teriam também um papel importante nesse processo, tão importante como o que alcançaram orientando os ouvintes no caótico trânsito urbana.
Deixar que chuvas caiam sem debater a preparação comunitária e fortalecer cada a Defesa Civil em cada cidade, vamos enfrentá-las com a mesma imprudência das crianças que mergulham nas águas barrentas.
Artigo publicado no Metro. Foto de abertura colhida na Lagoa Rodrigo de Freitas, no sábado.


2 Comments
Mas o Brasil vai bem (para os políticos).
Este é o país que esta evoluindo com suas políticas populescas??