O resultado do encontro em Cancún acabou mostrando que, apesar de todas as idas e vindas, os países queriam concluir este ano de 2010 com mais um pequeno passo. E ele foi dado com a decisão de prosseguir com o Protocolo de Kyoto e com a criação de um Fundo Verde que mobilizará US$ 100 bilhões para adaptar os países às mudanças climáticas e mitigar os seus efeitos negativos.
Num debate que fizemos no Memorial Getúlio Vargas, organizado pela Fundação Adenauer, o embaixador Marcos Azambuja observou com muita propriedade que as conversações internacionais envolvendo um tema complexo e tantos países nem sempre avançam de forma linear. É muito arriscado prever o seu fracasso ou seu êxito usando critérios rígidos. O processo é lento, difícil, mas o simples fato de estarmos negociando já um avanço em si.
O Presidente Lula previu que Cancún não daria em nada. Pois deu em alguma coisa, pelo menos o Fundo Verde, uma proposta de Copenhague que acabou vingando agora. Alguns jornais chegaram a dizer ontem que Cancún morreu na praia. As matérias foram concluídas antes do final do encontro, no momento em que Felipe Calderon, Presidente do México, fazia seu discurso. Era um bom título, as previsões se mostraram pessimistas, a tentação de encerrar o assunto com uma frase de efeito acabou prevalecendo.
Bem que dizia o Freud: temos de observar incessamente as coisas até que que comecem a falar por si próprias.
O que elas disseram é isto: cosnseguimos algo que nos anima a tentar conquistas maiores, como, por exemplo, trazer os Estados Unidos e China para um acordo planetário. É a história de avançar em trilhos diferentes, na esperança de que se encontrem adiante.
Brasil e Reino Unido tiveram um grande papel. Aliás, tanto em Nagoia como em Cancún, no debate da biodiversidade e agora no do clima, o Brasil se saiu bem como negociador. E também como protagonista: é o primeiro país emergente a adotar metas de redução de emissões.
É preciso agora aprovar meu projeto que determina inventários de dois em dois anos. Se não sabemos exatamente quanto emitimos, como podermos reduzir as emissões de forma mensurável, como isto poderá se reportado e, finalmente, monitorado pelos nossos interlocutores?
Passou a fase das promessas, agora teremos de cuidar de suas realizações.



3 Comments
Este encontro eh bem a cara do ambientalismo no Brasil, desacreditado no inicio,
inteligente e coerente nas propostas; discreto e singelo em resultados que geram grandes
transformaçoes socio-culturais.
Espero que seu projeto seja aprovado!
Ele eh logico e inteligente.Precisamos saber quanto poluimos para sabrmos o quanto limpamos.
[…] This post was mentioned on Twitter by ideiavaga, Fernando Gabeira. Fernando Gabeira said: Blog do Gabeira: Cancún, la nave va http://bit.ly/gDBKb6 […]
E , para aprovar o projeto que determina inventários de dois em dois anos é preciso que todos os que acham que isto é importante daqui em diante se movilizem, organizem e cobrem dos representantes uma ação neste sentido.
Lembrar que o Gabeira está terminando o mandado e que agora, mais do que nunca, é com todos.