O caso das licitações fraudadas em Campinas vai crescer. Mais para o lado político do que para o debate sobre a questão do saneamento. O lado político será agitado com as notícias de um amigo do ex-presidente Lula, o empresário José Carlos Bumlai, que estaria envolvido. E será impulsionado também pela notícia de que o ex-Ministro José Dirceu está gerindo a crise do PT e seus aliados em Campinas.
Isso dará muitos embates entre oposição e governo, mas pode deixar de fora o tema fundamental: saneamento básico.
Por coincidência, estava marcada para começar hoje em Campinas um encontro nacional da Associação dos Serviços Municipais de Saneamento, Assemae.
A cidade poderá combinar o debate do escândalo político com a discussão sobre o tema do saneamento. Corrupção é um dos fatores que impedem o avanço do serviço no pais, embora tenha menos peso do que a falta de investimento.
No post anterior sobre Campinas, falei nos setores que ainda precisam de saneamento. São os mais pobres e talvez os que menos acompanham os escândalos políticos.
Mas é interessante notar que mesmo os que já têm saneamento básico perdem com sua ausência em outras áreas. No caso de Campinas, leio que o rio Atibaia é a fonte de abastecimento de 98 por cento de Campinas. E que a água precisa de muito tratamento para chegar limpa às torneiras.
A falta de saneamento sobrecarrega o setor de saúde pois, segundo a OMS, um real investido seriamente no setor poupa quatro reais em saúde.
Mas o impacto da falta de saneamento no custo da água limpa também pode ser grande. Não só fica mais caro usar a água dos rios, mas a sujeira também aumenta a quantidade de produtos químicos necessários para sua purificação.
Escândalo e encontro nacional da Assemae fazem de Campinas a cidade exata para debater os problemas de saneamento básico no Brasil. Mesmo porque, apesar dos escândalos, o serviço funciona, levando em conta os padrões nacionais. Leio no site da Sanasa que a empresa é sempre convidada a debater novas técnicas de saneamento pois é considerada uma das melhores.
Foi a própria Unicamp, financiada pela Sabesp, que fez um estudo pioneiro sobre a importância econômica do setor de saneamento no Brasil. Ele já movimenta R$20 bilhões anuais e pode crescer muito, diante das necessidades do pais.
Desviar dinheiro dessa área é algo que desconstrói a ideia de um governo popular e de um partido voltado para os trabalhadores. De um modo geral, os escândalos se sucedem no Brasil; quando um é esquecido, aí então, surge um novo . Nesse momento, há uma superposição de escândalos, começando pelo que envolve o mInistro Palocci e agora se alastrando para um dos seus asssesores, Branislav Kontic que também tem uma empresa de consultoria, segundo a manchete do Globo.



Leave a reply