O voto do Brasil no Conselho de Direitos Humanos da ONU, autorizando uma investigação no Irã, representa, de fato, um rompimento com a política do governo anterior. E significa também um passo a mais no caminho de quebrar as resistências para a entrada no Conselho de Segurança.
No meu entender, o grande significado não é esse. O grande significado é a vitória de uma concepção de política externa nacional contra a de uma política externa partidária. O governo se afastou um pouco de algumas posições do PT mas se aproximou das posições majoritárias nacionais, que condenaram os afagos de Lula em Ahamadinejad e também suas declarações depreciativas sobre a oposição iraniana.
De que opinião nacional, você fala? podem perguntar muitos. Se o tema fosse levado a plebiscito, Lula convenceria o povo a apoiar Ahmadinejad com um discurso de conteúdo antiamericano, argumentariam.
Falo da opinião que acompanha a política externa, tem uma ideia do que se passa no Irã e também alimenta algumas esperanças de um lugar de destaque do Brasil no mundo.
Se fôssemos levar em conta uma relação de um líder e suas massas, independente dos fatos reais, Chavez poderia convencer os venezuelanos que o apoiam de que o capitalismo destruiu Marte. As massas brasileiras poderiam acreditar que a luta da oposição contra a Ahamadinejad é apenas uma luta da torcida do Flamengo contra a do Vasco. Isso apenas tornaria o erro mais trágico. Nem o capitalismo destruiu Marte nem a oposição no Irã pode ser igualada a uma torcida de futebol. Essa simples aproximação com a realidade dos fatos já uma vitória.



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