Confesso que foi uma surpresa positiva o encontro dos restos do avião que fazia o voo 447, do Rio para Paris e caiu na noite de 31 de maio de 2009. Há uma parte de nós que sempre desconfia que os esforços diminuem ou mesmo cessam, quando é passada a pressão dos holofotes.
Nesse caso, houve investimento e uma combinação de tecnologia robótica de tres paises: França, Estados Unidos e Alemanha. Para os familiares, o encontro de corpos têm um grande peso emocional.
Para os viajantes, a descoberta anuncia a possibilidade de conhecer a causa. E a descoberta da causa sempre impulsiona um nível superior de segurança, graças à experiência adquirida.
Foram três tentativas e só agora se chegou a um resultado mais satisfatório. O objetivo final é encontrar as duas caixas pretas e cruzar as informações que elas contêm: dados registrados pelo computador sobre as últimas manobras do avião e conversas na cabine de comando.
Tanto esta experiência de perserverança na aviação civil como a de presteza entre os japoneses que reconstruiram uma estrada em seis dias são importantes para que nós não demos todos os passos necessários, após a tragédia na região serrana do Rio. Aqui, depois dos holofotes houve um certo relaxamento.
Não sei se deveria misturar assuntos, mas projetos de longo alcance me impressionam porque nem sempre podem ser realizados no Brasil. É o caso da pesquisa sobre a doença de Alzheimer realizada nos Estados Unidos que mapeou algumas definições genéticas importantes. Foram envolvidos entre pacientes e colaboradores um milhão de pessoas. Não se descobriu a cura, mas foi dado um enorme passo, pois os dois genes importantes na doença foram constatados simultaneamente numa pesquisa em Cardiff, Pais de Gales. Ao que parece, estão no bom caminho. E isso é bom.
A França criou uma comissão e fez um grande trabalho apontando as políticas públicas necessárias em relação aos pacientes de Alzheimer e suas famílias. A pesquisa americana dá um passo pragmático no entendimento das causas da doença. O Brasil ainda não tem definições nesse campo. Já passou da hora de pelo menos discutir o que fazer nesse campo em termos de política pública.



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