Três temas aparecem entrelaçados na minha cabeça: o fervor dos egípcios nas eleições de ontem, o aumento da incidência de AIDS entre os adolescentes brasileiros e as pesquisas que revelam como são inseguros os carros populares no país.
Fiquei comovido com a presença maçica dos egípcios. Anciões eram praticamente carregados pelos familiares para votar. Ninguém parecia cansado de estar na fila.
Claro que no futuro tudo isso será mais confortável, informatizado como no Brasil. Mas será que o ardor se transformará no tédio brasileiro diante da política?
Tanto as mortes no trânsito como as mortes pela AIDS dependem da política e me remetem, com uma ponta de nostalgia, à época, no Parlamento, em que ainda era possível tentar alguma coisa em favor da vida.
No caso dos carros populares, fomos derrotados. Na votação do Código Nacional do Trânsito, havia emenda determinando que todos os carros tivessem bolsas infláveis (airbags).
A emenda foi esmagada pela indústria e a maioria no Parlamento, na época liderada pelo PSDB. Os carros populares ficariam mais caros, diziam os adversários da emenda. A vida dos donos de carros populares vale tanto quanto a dos outros, dizíamos nós.
As pesquisas mostram agora que sete modelos de carros populares são inseguros, verdadeiras armadilhas sobre rodas, como diz o Estadão, em editorial de hoje.
No Brasil, perdemos 19 pessoas em 100 mil, com acidentes de trânsito. Na Europa esse índice cai para 5 por 100 mil.
O Ministro da Saúde, ao constatar o avanço da AIDS entre adolescentes, afirma que essa geração não viveu o grande medo que tivemos, quando a doença apareceu.
Mas a culpa, o Ministro esqueceu de dizer, não é da nova geração. É , principalmente, da nossa geração que viveu aqueles tempos e não soube transmitir a importância dos cuidados. A sobrevida que a ciência proporcionou aos doentes talvez tenha ajudado a baixar a guarda.
De novo, volto à importância da política. Num único momento em que estive na mesma trincheira em que Sarney, aprovamos, – o projeto era dele no Senado e meu na Câmara- o coquetel de drogas gratuito para pacientes com AIDS.
Demos o primeiro passo, que acabou inibindo um pouco o segundo e permanente movimento: o da educação sobre a AIDS , entre os que nunca ouviram falar da doença.
Talvez seja porisso que tenha me comovido com as filas no Egito, apesar do crescente perigo de vitória de extremistas, e mesmo da violência cotidiana que os egpícios impoêm aos jornalistas e, sobretudo, às mulheres que ousam cobrir os acontecimentos na Praça Tahir.
As pessoas passam horas nas filas porque acham a política decisiva para suas vidas. No Brasil, essa esperança foi devastada pelos próprios politicos. As eleicões dependem de muito dinheiro e cabos eleitorais de profissão.
Teremos um dia o fervor dos egpicíos? Ou eles viverão eleicões tão burocráticas e profissionais como as nossas?



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Semana passada fiquei observando ao longe(…) a minha preocupação com alguns constantes acontecimentos .Me vi sempre no face compartilhando notícias ,acontecimentos,como se pudesse ajudar a mudar algo.Lembrei do Lennon e lembrei que “dream is over”, e há muito tempo!!!!.Por que teimo em sonhar de vez em..???