A grande questão dos próximos na America do Sul é o futuro da Venezuela. As notícias sobre o estado de Chavez são ainda muito obscuras.
O vice-presidente Nicolas Maduro dá algumas informações, mas não exatamente as que são dadas em países mais abertos.
Nesses, o boletim medico seria divulgado com freqüência para que todos pudessem ter uma ideia do estado do presidente.
O governo, indiretamente, tem culpa na onda de boatos. E a oposição está certa em pedir informações objetivas.
Em Cuba, a política do segredo é também muito arraigada. Yoni Sanches, a blogueira que faz oposição ao regime,
observou que o governo não comemorou, como nos outros anos, o 54º aniversário da revolução cubana.
Com a prática de decifrar as mensagens da burocracia comunista, ela conclui que a saúda de Chavez é muito grave.
Os cubanos, depois dos venezuelanos, são os mais angustiados com o futuro sem Chavez. Pode representar o fim da gasolina subvencionada e um baque na débil economia da ilha.
O El Pais, da Espanha, chegou a noticiar que Chavez estava em coma induzida. O jornal Tal Cual, de oposição, em Caracas, divulga na sua capa uma entrevista de Maduro, afirmando que Chavez está consciente.
O verdadeiro estado de Chavez é importante porque deveria tomar posse no dia 10. Uma crise institucional foi abortada, com a decisão da prorrogar a data, se necessário.
Alguns chavistas já começam a dar entrevistas admitindo um futuro imediato sem Chavez e afirmam que a revolução bolivariana continuará através do povo.
O novo presidente vai encontrar dificuldades econômicas, desabastecimento em algumas áreas, violência e corrupção. E não terá a popularidade de Chavez entre os pobres.
Com os recursos do petróleo Chavez realizou uma política social que lhe trouxe a estima do povo pobre. Muitos admiradores de Chavez acham que os problemas do governo são provocados porque os burocratas não o obedecem rigorosamente.
O Brasil precisa ficar atento .O ponto de partida para nós são os inúmeros vínculos entre Brasil e Venezuela.
No caso do Mercosul, talvez a ausência de Chavez atenue a resistência à entrada da Venezuela. Em termos de uma repercussão mais imediata entre nós, ocorre-me a situação de Roraima, tão próxima e interligado à Venezuela.
Recentemente visitei de novo a fronteira, ao percorrer a região da Raposa Serra do Sol. O comércio de gasolina contrabandeada da Venezuela é um setor econômico próprio
Os yanomamis vivem em território brasileiro e venezuelano. O Monte Roraima é um monumento natural na nossa fronteira.
No meu primeiro mandato, participei de um grupo parlamentar Brasil-Venezuela. Chavez ainda não tinha o poder. Mas percebi que muitos problemas na Amazônia eram comuns e que o simples fato de partilharmos a grande floresta tropical já era um ponto de partida para uma sólida união.
Voltarei ao tema, ao longo da semana.



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