Uma pesquisa divulgada pela revista Lancet afirma que o sedentarismo faz tanto mal à saúde humana quanto o consumo de tabaco.
A pesquisa realizada em 16 paises e coordenada pelo brasileiro Pedro Hallal, professor de educação física, de uma certa maneira afirma o que quase todos sabem: é preciso se exercitar algumas vezes por semana.
Na entrevista que Hallal concedeu à tevê, ele menciona tantas doenças como conseqüência do sedentarismo que enfraquece a própria tese.
Em primeiro lugar, porque muitas doenças têm causas múltiplas; em segundo lugar porque em certos casos, existe imunidade ou predisposição genética e essa causa ainda é muito pouco desvendada pela ciência.
Um bom desdobramento dessa pesquisa é apurar a razão do sedentarismo, que nas matérias, aparece como as desculpas que a pessoa dá para não se mexer.
Um entrevistado na tevê, afirma que chega em casa muito cansado. Isso é visto como uma desculpa. Mas a verdade é que a mobilidade urbana, sobretudo nas metrópoles brasileiras, é cada vez mais complicada.
O processo de ir e voltar ao trabalho é muito penoso para grande parte da população. Reduzir esse tempo faria muito bem à saúde porque aumentaria a chance de alguma prática física, como caminhar ou correr.
A tendência ao esporte amador tem crescido muito nos últimos anos. O negócio das academias prosperou como quase nenhum outro. Novos equipamentos foram fabricados e os mais ricos costumam ter uma pequena academia em casa.
Num ano em que há disputa eleitoral para as prefeituras seria interessante que os candidatos vissem o exercício físico como um elemento da política de saúde e não apenas do esporte.
E no momento em que o pais se prepara para gastar mais de R$2 bilhões com as Olimpíadas do Rio, o dobro do gasto em Pequim, vale a pena perguntar de novo e sempre: até que ponto esses equipamentos servirão ao desportista comum?
Não seria mais inteligente, direcionar o investimento levando em conta essa variável que a pesquisa do Lancet ressalta?
Teoricamente, os melhores esportistas nacionais surgem nas modalidades em que há muita gente praticando. Como é o caso do futebol no Brasil.
E aparece sempre a questão: é melhor criar condições para que muitos pratiquem o esporte ou se concentrar apenas nos mais destacados, que podem trazer medalhas para o pais.
É possível fazer ambos, dirão os políticos. Mas é preciso mostrar como, de uma forma convincente. Em São Paulo, os principais candidatos têm aparecido em cima de bicicletas.Ainda é pouco para animar as pessoas a sair de casa nas eleições.
Ao escrever, essas linhas,lembro-me de que ficar parado costuma ser também uma tendência até de jogadores de futebol. Tanto que o ensinamento mais repetido do técnico Gentil Cardoso, um dos melhores entre os antigos, era este: que não se desloca, não recebe.



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Trepadeiras nas fachadas ‘podem diminuir poluição nas cidades em até 30%’
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/07/120723_green_walls_jp.shtml
Mark Kinver
Correspondente de ambiente da BBC News
Atualizado em 23 de julho, 2012 – 13:54 (Brasília) 16:54 GMT
“Corredores Verdes” |
Plantio estratégico de trepadeiras sobre prédios pode diminuir poluição de cidades em até 30%
O uso de plantas nas paredes externas de prédios em uma mesma rua, criando “corredores verdes”, poderia funcionar como um filtro para a poluição nas grandes cidades, diminuindo em até 30% a quantidade poluentes no ar de grandes metrópoles, segundo um estudo britânico.
Pesquisas anteriores já previam que o aumento de áreas verdes em cidades poderia reduzir em 5% a quantidade de poluentes, mas o novo estudo conduzido por cientistas das universidades de Birmingham e Lancaster mostra que os “corredores verdes” têm um potencial mais efetivo.
Publicados no periódico Tecnologia e Ciência do Ambiente, os resultados do trabalho mostram que tais medidas poderiam ser mais eficientes do que iniciativas tradicionais.
“Até agora todas as iniciativas para tentar reduzir a poluição têm sido feitas ‘de cima para baixo’, como livrar-se de carros velhos, acrescentar catalisadores e até introduzir taxas de congestionamento – e elas não têm mostrado o efeito desejado. O benefício dos ‘corredores verdes’ é que eles limpam o ar que entra e fica no espaço entre os prédios”, diz Rob MacKenzie, um dos autores da pesquisa.
Os ‘corredores’ nada mais são do que placas cobertas com plantas ‘trepadeiras’, que crescem acopladas a uma estrutura, colocadas sobre as paredes exteriores de construções nas cidades.
“Plantar mais (‘corredores verdes’) de uma forma estratégica poderia ser uma maneira relativamente fácil de controlar nossos problemas locais de poluição”, acrescenta o cientista.
Vantagens e desafios
Especialistas sugerem que a criação deste tipo de “corredor verde” também tem vantagens práticas, além do previsto benefício ambiental.
Similares como as chamadas “paredes verdes”, que funcionam como jardins verticais, geralmente compostas por diferentes tipos de plantas e muitas vezes criados por paisagistas, necessitam de sistemas de irrigação específicos, além de fertilizantes e cuidados mais intensos.
Já os “corredores” consistem em uma parede inteira coberta por um tipo único de planta trepadeira, mais resistente.
Mesmo assim há desafios.
Tom Pugh, outro autor do estudo, lista algumas das dificuldades a serem enfrentadas. “Precisamos tomar cuidado quanto às plantas: como e onde plantaremos tais tipos de vegetação, (além de garantir que) não sejam afetadas por seca, não sejam atingidas por calor excessivo e que não sofram ações de vândalos”, diz.
Anne Jaluzot, de um grupo comunitário sobre plantio de árvores em áreas urbanas, diz que a estratégia tradicional, de plantar muitas árvores pequenas, não ajuda em nada para a biodiversidade, e o controle de enchentes e da poluição.
Ela diz que seria preferível se concentrar em regiões menores e nelas plantar árvores muito grandes, mesmo que em número menor. Ela também critica os “jardins verticais”, mais elaborados, como uma “perda de dinheiro”.
“Esses jardins verticais em geral são bonitos, mas são insustentáveis devido ao alto custo de manutenção e a necessidade de adubos. Simplesmente cobrir uma parede com plantas trepadeiras seria em geral uma solução muito melhor para prefeituras e organismos do setor”, avalia.