O governo anunciou um Sistema de Alerta para desastres naturais. Fica pronto em 2014. Começou a ser montado em 2005. Não decolou por falta de verbas. A demonstração do site Contas Abertas vai no sentido contrário. De cada R$5, previstos no Orçamento para prevenção de desastres, apenas R$1,15 foi utilizado. Faltaram projetos e decisão política.
Isso até os jornalistas estrangeiros percebem. Não houve investimento político, emocional e financeiro na prevenção de desastres naturais. O governo atuou como se não existissem mais, precisamente num século onde estão se intensificando.
As coisas são tão difíceis no Brasil que o anúncio de um Sistema acaba nos levando ao antes tarde do que nunca. Mas quem garante que agora acontecerá mesmo, se tinham o projeto desde 2005? Não basta desengavetar alguma coisa. É preciso mudar a própria cultura do governo.
A extraordinária mobilização de voluntários mostra que existe, na sociedade, uma compreensão para o problema. Não é algo perfeito, acabado. Mas uma grande possibilidade de parceria se dará por aí.
O simples ato de tirar um projeto da gaveta é muito pouco. Nossa fragilidade em prevenção não se deve apenas a lacunas científicas. É um problema cultural que tem de ser atacado em muitas linhas, com a visão histórica clara de que mudanças culturais levam tempo.
O governo poderia avançar, se analisasse sua atuação aqui e agora, na região serrana. Só domingo à tarde, o general chefe da Casa Militar chegou próximo à idéia de um comando unificado. Só no domingo, foram estabelecidos critérios para as missões de resgate, hierarquia nas tarefas – enfim algo que já deveria estar pronto e ensaiado, antes do desastre.
O incidente de ontem em Teresópolis foi típico. A Prefeitura quis proibir a Cruz Vermelha de distribuir donativos. Queria concentrar tudo em suas mãos. Isto já é uma tentativa de usar os donativos com objetivos políticos eleitorais. Os prefeitos serão submetidos ao voto, no ano que vem.
A sociedade tem se mobilizado para ajudar. Mas não há mobilização para forçar o governo a melhorar sua performance. É como se todos tivessem se resignado a contar apenas com as próprias forças, ignorando que o governo também depende da força social, e, sobretudo, do seu financiamento, através dos impostos.




7 Comments
Soube pelo Facebook que o Prefeito é evangélico e quis concentrar tudo em suas mãos para os donativos não serem distribuídos a igreja católica.
Até 2014 os sobreviventes serão as próximas vitimas. “Tudo dantes como no quartel de Abranches”
Análise perfeita, pena que a intenção do governo é sempre eleitoreira!!
Será que as autoridades responsáveis ouvem as análises vindas de especialistas da Sociedade Civil, ou não dão o braço a torcer??
Gabeira,
de tudo que vc escreveu, concordo e acho fundamental alertarmos a população , desde já, sobre as eleições do próximo ano, pois se os projetos decolarem realmente, em 2012 teoricamente deverão estar no meio do caminho, podendo apresentar algumas soluções literalmente concretas, e isso será de uma utilidade ilimitada para mostrarem nas campanhas como a prefeitura trabalhou bem e em prol da população.
Sua colocação foi perfeita, e é algo que precisamos ficar atentos, pois sabemos que uma vez eleitos, tudo pode parar no estágio em que estava, até o último voto ser apurado.
Um fato que me causou estranhesa, foi o de Paes estar aparecendo e falando muito na mídia, e Cabral (q não perde uma oportuinidade de se promover) está apagadinho. Quando na verdade não cabe a Paes estar à frente dos problemas da Região Serrana, mas sim Cabral ,que é o Governador do estado, juntamente com os prefeitos das cidades afetadas. Isso já é uma pequena demonstração de que as intenções não são as melhores possiveis, mas sim que o interese politico está imperando.
abraços.
Gilda
No ano passado o governo federal teve custos de R 1 3 bilhao com o programa Resposta aos Desastres e Reconstrucao e apenas R 138 milhoes com o de Prevencao e Preparacao para Desastres…Em entrevista ao programa Revista Brasil da Radio Nacional o professor da Universidade de Brasilia UnB e doutor em ciencia politica Evilasio Salvador ressaltou que a falta de compromisso dos gestores publicos e responsavel por permitir que desastres como o de Angra do Reis continuem acontecendo ano apos ano… Nos vamos lidar no proximo ano nessa mesma epoca com cheias aguas com todos esses desastres naturais. Ou seja temos um ano para remover a populacao para ter um plano habitacional serio de medio e longo prazo para que coloque essas pessoas para morarem longe das encostas …O professor disse que a populacao precisa cobrar dos governos estadual e federal para que haja um planejamento voltado para a prevencao de desastres.
[…] This post was mentioned on Twitter by Eric Maheu, Marjorie Salu, Bianca Poletto and others. Bianca Poletto said: Tudo bem, em 2014 | Gabeira.com http://t.co/pcKjTyX "É como se todos tivessem se resignado a contar apenas com as próprias forças …" […]
A partir da conjugacao de dados meteorologicos e geofisicos sera possivel dar o aviso para que as populacoes sejam retiradas das areas de risco. De acordo com o ministro serao necessarios aquisicoes de pluviometros radares e o levantamento geofisico das areas no pais isso tudo sem contar com o treinamento de pessoal para operacionar o sistema.