Em certos momentos, apenas observamos a política nacional. Ela anda um pouco confusa, sugerindo cautela na sua interpretação.
Chega uma hora em que é preciso alertar: a confusão política está contribuindo para complicar a economia.
Dois ministros já caíram, cinco estão chamados a depor no Congresso. O de Transportes, Alfredo Nascimento fez um depoimento enigmático no Congresso, afirmando que seu PR não era lixo não.
No passado, Galvão cantava Eu não sou Cachorro Não. Como o governo lançou a imagem da faxina, Nascimento teve de adptar a letra da musica e afirmou que seu partido tinha os defeitos e qualidades de todos os outros.
No front da Agricultura, o Ministro Wagner Rossi, afirmou que demitiu o irmão do líder do governo, Romero Jucá, porque Jucazinho pagou uma dívida de R$8 milhões, de forma irregular. E acrescentou: mesmo depois disso, o líder do governo ainda queria manter seu irmão no cargo.
A bolsa brasileira tem a segunda pior performance no mundo. Caiu 19,2 % em 2011, perdendo apenas para a grega, que caiu 22,1 %.
Os fatores negativos que rondam a economia não são apenas políticos. A inflação aumenta, o déficit público é de 2,5 % do PIB e, além disso, cresce o endividamento das famílias.
Temos a nosso favor o bom preço das commodities mas tanto Europa como Estados Unidos se preparam para apertar os cintos e, certamente, haverá repercussão em nosso comércio exterior.
Com a economia em crescimento, os escândalos da política descolaram um pouco da realidade cotidiana. Eles se sucedem e, diante das notícias, sobrevive apenas a curiosidade de ouvir a última negociata de Brasília.
Num contexto de mudança de rumos na economia e o período de austeridade nas países ricos, a sucessão de escândalos em Brasília pode perder seu caráter folclórico e adquirir as cores de um drama.
Estamos entrando numa nova fase. Talvez não seja suficiente para iluminar todo o palco. Mas o velho presidencialismo de coalizão vai parecer mais empoeirado ainda.
De fato, o PR tem as qualidades e virtudes dos outros partidos. Diante disso, é correto lotear o governo entre eles? Mais uma vez, é preciso reafirmar que não se trata de discriminar partidos políticos na formação de um governo.
Basta levar em conta sua realidade e garantir que sejam aproveitados os que têm competência e honestidade comprovadas.
Dilma assumiu para continuar e, aos poucos, descobre que continuar o governo Lula é impossível. A bonança econômica que permitia neutralizar o impacto dos escândalos sucessivos pode não funcionar mais como bálsamo.
Tempos interessantes, como diziam os chineses acrescentando que não invejam os que são obrigados a viver neles.



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