Rupert Murdoch decidiu fechar o News of the World. Encerra-se pelo menos uma etapa do drama que tenho noticiado aqui.
Antes mesmo que ganhasse corpo uma campanha na rede para que os anunciantes boicotassem o jornal, alguns dos grandes anunciantes ingleses decidiram suspender seus anúncios.
A decisão de Murdoch é radical mas tomada num momento em que a própria sustentabilidade do News of the World estava em risco.
Fleet Street a rua que simboliza a imprensa britânica vive um dos momentos mais dramaticos de sua história. Um jornal erra e é condenado à pena de morte.
Os tabloides ingleses nunca tiveram grande credibilidade. Mas a sucessão de grampos ,que não perdoou nem a família real, acabou demonstrando que atuavam fora da lei.
No caso da menina Milly Dowler, que havia sido sequestrada, o grampeamento teve a dimensão de crueldade. Ela já estava morta e a sucessão de reportagens pode ter aumentado a angústia da família.
Quando a caixa de mensagens se esgotou, com a tecnologia de detetives particulares a soldo, o jornal esvaziou as mensagens para que a farsa proseguisse.
A resposta inglesa, precipitada pelo caso da menina, foi bastante poderosa a ponto de Murdoch decidir o fechamento do News of the World.
De um ponto de vista político, vence a democracia. Mas outros tabloides continuam a existir e o próprio Murdoch pode usar a equipe e batizá-la com outro nome.
No princípio da década, trabalhei com o tema de quebra de privacidade , mas buscando soluções que não fossem só políticas e morais. Buscando também soluções técnicas.
O que ficou claro para mim é que as empresas de telecomunicações não investiram como deviam na proteção das conversas. E não havia nenhuma pressão legal sobre elas para que o fizessem.
Por outro lado, a tecnologia do grampo não só avançou como se tornou acessível. No caso do News of the World contavam com detetives particulares. Eles invadiram a caixa de mensagens e foram capazes de desmanchar seu conteúdo. .
Não sei se a oposição do Labor, hoje liderada por Ed Miliband, chegará até aí. O caso tem muitas implicações políticas, Rupert Murdoch é próximo do Partido Conservador no poder, David Cameron empregou no governo, e desempregou com a crise, um dos seus executivos.
A questão tecnológica é secundária nesses momentos, mas continuo acreditando que as empresas de telefone precisam investir mais no quesito de segurança e acho que até deveria ser estimulada a competição em torno dos avanços na área.



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