Teresópolis – Abandonados pelo governo, moradores de Vieira, um distrito de Teresópolis, na divisa com Friburgo, decidiram reconstruir sua área, com os próprios recursos.
Vieira como muitos outros pontos de Teresópolis e Friburgo sofreu grandes estrados com as chuvas. Um grupo de 12 pessoas, apoiando-se na escola pública Monsenhor Mário Benazzi, criou um regime de mutirão para construir casas para desabrigados.
Como conseguir dinheiro? Jantares, doações, tudo foi mobilizado para construir as quatro primeiras casas.
Uma delas já está habitada por um ajudante de caminhão que perdeu toda a familia no desastre. A outra está sendo concluida esta semana e, ao seu lado, mais uma será construida.
Cada casa está custando R$10 mil. Segundo um dos participantes do grupo, o advogado Renato Schuenk, as casas não são entregues com todo o acabamento.
Os novos donos têm o essencial para morar e, com o tempo podem ir incorporando melhorias.
No momento, quem espera uma nova casa é Aparecida de Silva, 45, mãe de cinco filhos e cujo marido foi embora de Vieira.
Aparecida era voluntária na escola, fazia limpeza e ajudava na cozinha. Ao lado de seu barraco destruido, vive Francisco Correa, 67 anos, inválido e abandonado pela família.
Aparecida cuida dele também, enquanto espera sair dos escombros que adaptou para viver com os filhos.
Como ele vive num barraco que está caindo não teve direito ao aluguel social, R$500 que a Pefeitura paga por mês aos desalojados. Mas também não teve ajuda para o projeto de compra assistida, na qual o governo contribui nas prestações de uma casa.
O prefeito que acaba de cair, Jorge Mário, não chegou a se interessar pelo mutirão. É um sistema que não envolve empresas construtoras. Apenas um pedreiro responsável, Enderson da Rocha, conhecido como Lico, e voluntários que aparecem no fim de semana.
-Aqui, em duas semanas, a gente levanta uma casa.
Nessa área de Teresópolis, não é apenas o esforço de reconstrução que impressiona. É também a lavoura que voltou com toda força: os campos estão verdes, irrigados e monitorados pelos produtores. Até barracas de venda de legumes e hortaliças foram dispostas na estrada para Teresópolis.
Vieira fica a 38 quilômetros do centro da cidade. O objetivo é criar o mesmo movimento em outros bairros. Os organizadores não dispensam ajuda pública. Pelo contrário, lutam por manilhas e outros materiais e esperam que a Prefeitura ajude.
A diferença é apenas esta: fazem o que podem, enquanto continuam esperando.





Comment
Muito lindo, não só a matéria como as fotos.
Ver Terê e, em particular, VIEIRA sendo reconstruída na base do mutirão, com muito trabalho, amor e garra. O céu azul, a natureza exuberante, como que agradecendo a atenção dos que foram a luta apesar do Prefeito e do Governador que tem.
Parodiando o Grande Vandré , essa turma de Vieira deve ter pensado e concluído:
“Vem vamos a luta que Cabral não vai fazer, quem sabe REFAZ Vieira antes DELE aparecer ”
Vieira, um exemplo a ser seguido.
Parabéns a todos que arregaçaram as mangas e foram à luta.
Namastê,
Gilda – RJ