Existem muitas razões para se suspeitar do regime de licitações, aprovado ontem na Câmara, contra apenas 88 votos.
Uma delas é o fato de as campanhas majoritárias no Brasil serem muito dependentes das empreiteiras. Inúmeros casos de superfaturamento foram vistos, ao longo da história, como uma espécie de recompensa dos governos à ajuda eleitoral de empresas.
Nas obras da Copa do Mundo haverá dispensa do projeto básico e não será dito o quanto o governo pode gastar, para evitar cartéis e manipulação dos preços.
Acontece que os governos , diante das empreiteiras, ficam dotados de mais uma moeda de troca: a informação.
Os vazamentos passam a ser mais um fator de enriquecimento, sobretudo quanto tantas consultorias se entrelaçam na política e nos negócios.
Nesse momento, o pais está financiando o Pão de Açúcar e o Carrefour, em processo de fusão, com um aporte de R$4 bilhões do BNDES. O argumento é que o Pão de Açúcar poderá se internacionalizar.
Mas os franceses já não são internacionais? O que vai acontecer, na verdade, com a brutal concentração, será um aumento de preço ao consumidor, cada vez mais indefeso diante de grandes conglomerados.
Num outro país, alem do CADE, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Congresso ficaria interessado e examinaria o negócio em todos os seus detalhes.
No Brasil, o surgimento de uma empresa que será apenas menor que a Vale e a Petrobrás, não deve suscitar grandes dúvidas no Congresso, mas sim uma grande esperança de ajuda nas campanhas eleitorais.
Se Abílio Diniz não tivesse se aproximado tanto do PT, conseguiria colocar o BNDES, no centro do negócio? É uma interrogação que ainda não foi respondida.

De vem em quando, um protesto nos muros.(foto FG)


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