Não é sociologia, nem pretendo ser científico. Desde o carnaval, constato que as caixas coletoras do bairro estão transbordando.
A lei da física que impede que dois objetos ocupem o mesmo espaço ao mesmo tempo é, suavemente, contornada nesses exemplos que colhi.
Mas como gari visual, observo que novas coisas aparecem no chão e são filhas da informática.
Registro que as coisas deixadas na água, orgânicas ou não, acabam se integrando à paisagem. Não defendo que continuem ali: é apenas uma constatação.
Assim como a cidade precisa ser varrida muitas vezes, só a avenida Rio Branco é limpa 12 vezes por dia, ela precisa ser observada sempre.
Pretendo continuar o trabalho por anos. Quem sabe no final, chegamos à alguma conclusão edificante? No momento, a abundância se expressa de forma discreta, nas caixas transbordando.
Em alguns países mais ricos, móveis e objetos deixados na rua revelam a tendência a renová-los e fazem a alegria de jovens montando seus primeiros apartamentos.
O Rio de Janeiro vive um boom imobiliário ( e um bum dos bueiros), progressivamente os prédios mudam de mão. Reportagem da Veja fluminense apresenta hoje um grupo de corretores que está ganhando mais de R$100 mil mensais, só em comissão.
Entre julho de 2009 e junho de 2010, o preço do metro quadrado subiu 88 por cento na Zona Sul. No ano passado, foram lançadas 19976 unidades. E tudo vende muito rápido.











2 Comments
[…] Published Reflexões de um gari visual. […]
Transbordando e em menor número. As caixas coletoras verdes estão muito dificil de emcontrar