Quando trabalhava até tarde da noite, sempre me lembrava dos versos de Drummond: há uma hora em que todos bares se fecham e todas as virtudes se negam.
Mudei o relógio biológico. Vivo durante a semana a hora em que todas as esperanças renascem e alguma ingenuidade é possível.
Vago pela Lagoa e sinto uma lufada quente de vento terral. A própria luz. que aos poucos, vai endurecendo anuncia a alta primavera e a chegada do verão.
As margens da Lagoa continuam sujas. Fiz uma série de fotos – Choveu, Sujou – e constato agora que, mesmo sem chuvas, as margens continuam imundas.
Pinto no lixo, porque as cores estão ficando mais vibrantes, a luz mais intensa e é possível ver no sorriso das crianças, a chegada do verão, a proximidade das grandes férias escolares.
Crise econômica mundial, queda de ministros no Brasil, as manhãs atenuam os dias terríveis, assim como o sábado é para o poeta, o dia da criação. Hoje é sábado, amanhã é domingo/ não há nada como o tempo para passar.
Começo com Drummond, termino com Vinicius porque alguém já disse que a única prova concreta da existência do homem é a poesia.
Que a poesia dê, pelo menos, uma sobrevida à Lagoa.





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