Havia um certo ceticismo em torno da proposta de Obama para o Oriente Médio. Afinal, na semana passada, o emissário para a paz na região, George Mitchell, jogou a toalha e abandonou o cargo.
O discurso de hoje feito para ser uma continuidade de seu discurso no Cairo foi centrado na questão da paz entre Israel e Palestina.
Obama propõe que a existência dos dois estados tenha como base as fronteiras de 1967 e uma Palestina desmilitarizada.
As primeiras reações são favoráveis nos sites americanos. Mas, como não poderia deixar de ser, muitas questões não foram ainda respondidas.
A primeira delas é se Israel, que considera um grande problema de segurança abrir mão das fronteiras conquistadas, aceitará as linhas de 67?
O infográfico do Estadão, mostra essas fronteiras.
http://www.estadao.com.br/especiais/as-d…
A outra pergunta: como tornar a Palestina desmilitarizada? Até que ponto o Hamas, por exemplo, defensor do fim de Israel, estaria disposto a ter o estado palestino apenas com uma polícia?
É uma proposta. Em torno dela vai gravitar, nos próximos dias, a esperança, tantas vezes frustrada, de uma paz duroudora com a existência dos dois estados.
Obama afirmou que através da força moral da não violência, os países árabes conseguiram mais, em seis meses , do que o terrorismo, em décadas.
O impulso que as forças populares trouxeram faz com que os Estados Unidos se voltem para a região, prometam investimento e apresentem uma proposta de paz mais ousada que as anteriores.
Há variáveis complicadas. Benjamim Netanyahu afirmou em Israel que aceita trocar “terras da patria” por uma paz estável. Ao mesmo tempo classificou as fronteiras de 67 como inaceitáveis. Ele viaja para encontrar Obama e a posição de Israel ficará mais clara, depois da reunião na Casa Branca.
No dia em que Obama fez sua proposta, Israel aprovou a construção de 1520 casas de colonos, no lado oriental de Jerusalém.
Obama fez uma proposta prevendo o estado palestino mas a ONU já iria mesmo reconhecê-lo em setembro. Haverá alguma convergência entre o movimento americano e o da ONU? Ou Obama quis apenas se antecipar?
O tema vai crescer daqui para setembro. Deve sair nas próximas horas a posição brasileira outra referência ainda a considerar.O Brasil defende a existência de dois estados, reconhece a Palestina com as fronteiras de 1967 mas não se manifestou ainda sobre a desmilitarização.



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