Este é o artigo do hoje, publicado no jornal Metro. Ele trata de engarrafamento. No fim de semana houve um desastre de repercussão: o atropelamento de um ciclista pelo filho do bilionário Eike Batista.
É leviano dizer agora se há culpados ou não no acidente. No entanto, o procedimento da policia foi inusitado: dispensou o motorista de prestar depoimento e permitiu que o carro fosse levado sem que se fizesse nele a perícia adequada. Não pode haver policia de ricos ou pobres numa República.
Engarrafamentos
Olá como vai?
Eu vou indo e você tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você?
Uma longa e inconsequente conversa como da canção de Paulinho da Viola, ficou difícil nos dias de hoje. O trânsito está infernal em alguma horas do dia.
Parcialmente, a situação se complicou com as grandes obras que cidade prepara para melhorar sua mobilidade no futuro. Mas o diabo é que no custo dessas obras não são computados nossa horas perdidas no trânsito.
Somadas fazem milhares de horas: é o tempo social que elas consomem. É de um valor incalculável para pessoas que precisam exercer num tarefa num determinado tempo.
Seria uma ilusão pensar tudo isso se deve apenas às grandes obras. É uma tendência de longo prazo a julgar pelo crescimento da indústria automobilística e da facilidade de compra de carros com muitas prestações.
Nesse momento, a única saída é um monitoramente com as câmeras, uso de helicópteros de observação e, sobretudo, os programas de rádio com participação dos motoristas.
A rádio já é bem usado mas poderia ampliar ainda seu raio de alcance na medida que todas as emissoras compreendessem que sem elas a cidade se move mais lentamente. A informação é vital nessa luta pelo tempo.
Mas num futuro próximo, é a própria administração do tempo urbano que pode trazer algum alivio. Os debates sobre horas de carga e descarga, sobre itinerários de caminhões, como o de São Paulo, são apenas uma forma da aparição do problema.
Um dos nós a desatar: a maioria se desloca na mesma hora e volta na mesma hora do rush. É possível alterar esse processo?
Quando asilado na Suécia via todos os sábados um grupo do insignificante Partido dos Cidadão querendo proibir a circulação de carros no centro da cidade.
Parecia um absurdo. Hoje, 30 anos depois, Estocolmo já adota o pagamento de pedágio em certas áreas do centro.
A visão do pedestre é essencial nesse processo. O numero de carros aumenta, gasta-se uma fortuna na ampliação da infra, como se as ruas fossem apenas dos carros.
Os incidentes de São Paulo, após a morte de uma ciclista, mostraram que também o mundo que se move sobre duas rodas tem algo a dizer.
Nada contra as grandes obras, embora seja cético quanto à conveniência da derrubada do Viaduto da Perimetral. O Túnel da Grota Funda, por exemplo, é uma novidade excelente para a Zona Oeste.
Não se trata apenas, como na canção de Paulinho da Viola de correr para encontrar o lugar no futuro. O problema é como sair de um lugar para outro agora. E se possível, voltar.



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