Friburgo- Entre uma entrevista e outra, descobri que tinha três horas livres. Resolvi dar uma olhada na ponte que o exército está construindo em Bom Jardim, passando antes pelo distrito de Banquete. O lugar foi muito atingido. Minha tarefa, no tempo normal, era a de anotar todos os sinais de reconstrução. Mas havia muita coisa destruída pelo caminho.
Antes de sair de Friburgo, visitei a Igreja de Santo Antônio, na praça de onde parte o teleférico. O panorama é diferente. A praça já foi limpa e existem ainda algumas concentrações de barro que estão sugadas por máquinas. Outras máquinas trabalham nas laterais da igreja que, internamente, está muito destruída.
A primeira observação aqui na serra: há muita máquinas trabalhando. Acho que a maioria do equipamento do governo e empresas que participam do PAC foi concentrado na região. E há também muito pó. As pessoas usam máscaras, um pouco estimuladas por uma reportagem de tevê que anunciava grande concentração de bactérias no ar.
Alguns comerciantes reclamaram do uso intensivo de máscaras. O turismo caiu por terra. Almocei num restaurante de comida mineira. Ao lado, o dono mantém uma churrascaria. Ambos estavam desertos. Ele disse que o pior é o fim de semana, pois durante a semana, técnicos, engenheiros e gente envolvida no trabalho de recuperação, garantem algum movimento.
Banquete é um distrito de Bom Jardim. Ali passa o rio Bengalas que transbordou e destruiu quase tudo na sua margem. As pessoas aproveitam o sol como aliado para limpar as ruas e casas. Nos postes, funcionários de empresa de energia trabalham para recuperar o serviço. Encontrei alguns funcionários da Vivo que me informaram que os celulares já estão funcionando em toda a parte, nas sete cidades atingidas. O problema agora é a telefonia fixa, nos pontos onde o acesso ainda é difícil.
Em Bom Jardim, a ponte principal ruiu e há um imenso vazio. O Exército está estabelecendo a conexão em outro lugar, reconstruindo uma ponte menor. Enquanto isto não acontece, foi preparada uma passagem provisória para as pessoas. Elas recebem um colete salva vidas e, sob o olhar dos soldados, cruzam o rio. Na margem, vi um ônibus afundado. O movimento mostra como os moradores estão querendo recuperar a normalidade e, dentro dos limites, estão vencendo a batalha. O lixo não está sendo coletado, e o acúmulo é grande.
O problema de lugares como Bom Jardim é que ficam meio apagados diante das grandes cidades da Serra: Petrópolis, Teresópolis e Friburgo. Mas tanto Bom Jardim, como Sumidouro e São José do Rio Preto foram muito impactados pelas chuvas. Ainda há pessoas sentadas com grandes embrulhos, como se ensaiassem uma nova mudança de alojamento. A sensação apesar de serem lugares pacatos, é de que há movimento e inquietação, muitos dias depois das chuvas.
Na ponte de Bom Jardim, há muitas máquinas trabalhando,mas acho que a retomada do trânsito normal vai levar muito tempo. Do ponto, onde trabalham as máquinas, vi uma casa afundando no rio, de todas que sobreviveram tem uma das situações visualmente mais precárias.
Impressionante como as coisas foram varridas e mudadas pelas chuvas. O que aconteceu com os carros é típico. Alguns foram reduzidos a ferragens retorcidas. Outros viraram peças de lama, outros vão se transformando em vaso de plantas. A quantidade de terra recolhida pelas máquinas que trabalham todo o tempo, dá uma idéia de como os morros vieram abaixo e as feridas revelam ainda que ela rolou mesmo lugares com mata virgem.
Na volta a Friburgo, soube que começaram as demolições e fui entrevistar o vice-governador sobre os planos de reconstrução. No final da tarde, carros pipas molharam o centro da cidade, a sensação que há muita poeira, foi atenuada. Hoje concluo meu trabalho e vou escrever para o Estadão. Estou mostrando as imagens mais coloquiais aqui no blog. Espero editar uma pequena galeria, quando concluir.







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