Rubem Braga é um autor de um texto apocalíptico sobre o Rio, intitulado Ai de ti Copacabana. É um texto que fala do fim do famoso bairro, perdido em seus pecados. Portanto, com toda a sua graça, a crônica era uma advertência moral.
Em nenhum momento, a ficção imaginou que a cidade seria vitima desse estranho processo de explosão de bueiros. Já o mencionei aqui duas vezes. A primeira foi quando atingiu um casal de turistas americanos, matando o homem e queimando gravemente a mulher.
Não se trata apenas da sensação de fim de mundo. Nada de ondas arrebatadoras, arranha céu tombando no asfalto. É um fim de mundo sem charme, trombetas ou profetas.
No planeta em que vulcões ativos perturbam os voos, terremotos arrasam países, tsunamis inundam usinas atômicas, nossa singela contribuição é esta: bueiros explodindo como minas terrestres.
O presidente da Light, Jerson Kelman, disse que o problema não é manutenção, mas que é preciso reconstruir a infraestrutura. Alem disso, há suspeitas de que algumas explosões são fruto de sabotagem.
Ou isto é reconstruído com rapidez, ou teremos de inventar uma outra modalidade de esporte para as Olimpíadas. Pode ser o lançamento de bueiros ou o salto sobre bueiros explosivos.
O preço dos imóveis está crescendo, estrangeiros querem comprar espaço no Rio. A onda de explosões talvez sirva para conter aumentos astronômicos e lembrar que esta é uma cidade real até debaixo da terra



2 Comments
Querido Gabeira,
Como anda aquela história da Toesa e das fraudes da Saúde no Rio?
Ficaria muito feliz se você continuasse investigando o Sergio cortez, o seu patrimônio e o que está sendo feito com a Saúde deste Estado.
Tenho certeza que além de mim outros eleitores tambem ficarão felizes. Afinal muitos não possuem plano de saúde e merecem o acesso a este direito.
Grato pela atenção.
Estamos acompanhando a Toesa e outras denunciadas na campanha. Um abraço