O DETRAN anunciou que a cidade de São Paulo ultrapassou a marca dos 7 milhões de carros. E para cada novo carro emplacado, aparecem cinco motos: elas cresceram 118 por cento numa década, e hoje devem estar em 800 mil, já representando 18 % dos casos de atropelamento.
São duas questões interligadas. O número de motos tem crescido também em função do congestionamento no trânsito. Basta dar uma olhada nas áreas onde se fazem os exames dos futuros pilotos. Há muita gente querendo pilotar motos, muitos porque encontram nela também um meio de sobrevivência.
O crescimento anual da indústria automobilística tem sido de 20 % aproximadamente. O número de veiculos não para de crescer e a capacidade de intervenção é limitada pelo tempo e recursos. Nenhuma gestão urbana tem condições de acompanhar o ritmo de crescimento automobilístico.
No caso das motos, o aumento significa também um número maior de acidentes. As grandes produtoras de motos nos EUA criam institutos de segurança para pesquisa e orientar os usuários de moto. Aqui no Brasil, não investem em segurança nem em campanhas educativas.
Quando São Paulo experimentou o rodízio fui observar o resultado da experiência. Foi uma das tentativas de atenuar o problema. Outra seria uma nova administração dos ritmos urbanos. Isto dá um trabalho enorme. Mas nem todos precisam cumprir o chamado horário comercial . Com incentivos adequados poderia haver uma melhor distribuição do fluxo ao longo do dia.
Quando falei com um motorista de taxi paulista sobre isso, ele respondeu: o problema é que todas as horas estão parecendo hora do rush.
Um marco como este 7.012795 veículos merecia, pelo menos, uma boa centena de discussões sobre o futuro.


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