Uso bicicleta há algumas décadas no Rio. Fiz duas campanhas políticas montadas nela.
Embora nunca tenha sofrido um acidente, reconheço que é hora de discutir a relação.
As bicicletas são uma realidade no Rio. De uma certa forma já o eram, antes da construção das ciclovias, na gestão de Alfredo Sirkis como secretário de urbanismo.
Milhares de trabalhadores da Zona Oeste sempre usaram as duas rodas para unir suas casas à estação de trem.
As ciclovias estimularam a classe média a ampliar o uso de bicicletas. O trânsito caótico e a chegada das elétricas produzidas na China contribuíram para completar o quadro.
Dois atletas foram atropelados esta semana. Um deles morreu.
No próprio Leblon uma talentosa produtora de tevê perdeu a vida de uma forma absurda.
A construção de ciclovias que as vezes nem são adequadamente mantidas, como a da Zona Oeste, não resolve o problema.
O uso de bicicletas vai crescer cada vez mais. De um lado, porque é um grande esporte pedalar por uma cidade como o Rio. De outro, porque, em certas áreas como a Zona Sul do Rio, é o meio de transporte mais racional.
Não adianta supor que ter uma rede de ciclovias resolve. Nem fazer como São Paulo, criando áreas de lazer protegidas, para se andar de bicicleta.
É preciso uma política que favoreça a coexistência pacífica entre motoristas e ciclistas. Ainda falta infraestrutura, sinais adequados e sobretudo educação no trânsito.
Não são apenas os motoristas que sentindo-se mais fortes desrespeitam os ciclistas. Estes sentem-se mais fortes que os pedestres e, em muitos casos, também os desrespeitam.
Aplicar o Código Nacional de Trânsito é um primeiro passo. Mas campanhas específicas são necessárias para que o número de desastres seja reduzido.
Nos últimos dias, os ônibus têm sido os vilões. Favorece a direção perigosa a prática das empresas de não darem o nome dos motoristas que cometem infrações.
Isso parece que vai ser combatido. Mas o trânsito continuará caótico tanto no Rio como nas principais cidades médias do estado.
Tentei realizar um rápido trabalho nas cidades serranas e constatei que os engarrafamentos parecem estar em toda parte.
A mobilidade e segurança no trânsito passaram a ser um problema de grande dimensão.
Vereadores e deputados não discutem muito o transporte coletivo no Rio. Parecem domesticados pelas empresas.
Chegou a hora de colocar o tema no topo da agenda. É uma questão de vida ou morte. E também de produtividade. Não se faz mais nas cidades brasileiras o mesmo que se fazia no passado.
Nosso tempo é perdido nos engarrafamentos e a vida caminha na corda bamba. É hora de levar a sério não só trânsito mas o avanço irreversível das bicicletas ao cotidiano da metrópole.
Artigo publicado no jornal Metro em 06/05/2013

