Fui ao velório do cinegrafista Gélson Domingos da Silva, assassinado com um tiro no peito, na favela de Antares, Zona Oeste do Rio.
Havia muitos jornalistas e a discussão central era sobre segurança. O tiro de fuzil varou o colete e o próprio corpo do jornalista. Existem coletes mais poderosos? É necessário capacete?
Observo que nos conflitos, fotógrafos e cinegrafistas estão morrendo com frequência. Na Líbia, dois dos mais talentosos de sua geração Tim Hetherington e Chris Hondros foram mortos em Misrata.
Aqui no Rio, valia uma discussão mais ampla. O governo criou um cinturão de segurança nas áreas de UPPs, com o objetivo de garantir a Copa e Olimpíadas.
Como tantas vezes lembramos, os traficantes e milicianos deslocam-se para a Zona Oeste e algumas cidades da região metropolitana.
O governo, nessas áreas, parte para o enfrentamento. É algo muito diferente do que faz na Rocinha. Ali, além do apoio político do tráfico, há outro fator que inibe o conflito armado. As mortes repercutem mais.
Os enfrentamentos estão se deslocando para áreas não pacificadas. Os traficantes fogem para elas porque sabem, de antemão, que as favelas que ocupam serão invadidas.
O sociólogo suíço Ulrich Beck já teorizou sobre o assunto em alguns livros, muitos discutidos pelo mundo. Na opinião dele, a administração dos riscos tendem a deslocá-los para as áreas pouco favorecidas e com menor poder de barganha.
Uma tendência da imprensa carioca foi a de elogiar o processo de pacificação, que além de confortar seus leitores, valoriza os imóveis das região beneficiadas.
O problema são as consequências do que chamei de cobertor curto. Nem todas as áreas podem ser pacificadas a médio prazo. A única saída é enfrentar o tráfico em tiroteios, ou deixar que as áreas descobertas caiam nas mãos da milícia.
Quando visitei Antares, na campanha de 2008, tentaram provocar um desastre com nossos carros. Os perseguidores eram ligados a um ex-deputado, Jorge Babul, que chegou a pertencer ao PT mas foi expulso. As milícias dominavam a área.
Tudo indica que, em Antares, traficantes e milicianos se revezam no controle . Não descarto o debate sobre equipamento, que tipo de colete pode ser mais adequado.
Mas o considero secundário diante da análise específica da situação da cada favela a ser invadida pela policia. A tática de ficar atrás dos policiais nem sempre funciona. Os traficantes atiram em direção a eles que, por uma questão de treinamento, abaixam e levantam, de acordo com a necessidade.
Quando você está com o olho visor da câmera, estudando ângulos e capturando os movimentos, é muito difícil ter a mesma frapidez do policial. Ele está fixado nos tiros, o cinegrafista na imagem.
Duas profissões difíceis. Gélson Domingos da Silva, assim como Tim Hetherington Chris Hondras, morreram tentando nos mostrar os horrores da guerra, declarada ou não.





3 Comments
A política do cobertor curto, apontada pelo Fernando Gabeira, se aplica em qualquer setor, além da segurança, púbica. saúde, cultura, educação, é só escolher.
Os sucessivos governos estaduais atuam como se foram super-prefeitos da Cidade do Rio de Janeiro, compreendendo-se como tal Centro, Zona Sul, Barra e Recreio.
O restante da cidade e do estado é periferia.
Longe do foco da imprensa, o cobertor não chega até lá.
Quando o Governo vai se “tocar” que estamos vivendo há anos dentro de uma guerra civil?? Tem que MATAR OS TRAFICANTES E QUEM COMPRA AS DROGAS. Sustentam essa CORJA de bandidos.Pagar melhor salários para os policiais,Viverem em bairros dignos com suas famílias.JÁ CHEGA DE TANTA VIOLÊNCIA!!!!!
Gabeira,
INFELIZMENTE enquanto tivermos SÉRGIO CABRAL no Governo do Rio de Janeiro e EDUARDO PAES Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, teremos este lamentável e repugnante cenário.
Os MILICIANOS tem o apoio de Cabral e onde não tem milicia, os TRAFICANTES que apoiam Cabral e vice-versa.
São TODOS BANDIDOS, só que CABRAL usa terno importando e viaja para Paris enquanto os OUTROS usam bonés ou camisas amarradas nas cabeças e festejam com tiros automáticos para cima, bailes funks e no lugar de champagne tomam cerveja até cair.
Este pulha é covarde, marginal, ladrão, corrupto e por mais movimentos que a população faça, ainda não apareceu ninguém com poder para abraçar a causa e colocar os absurdos criminosos cometidos por Cabral em pauta.
A MÍDIA, por censura ou omissão, também está amordaçada, e sem apoio e divulgação, a luta fica muito mais dificil, mas deixo claro, que nem por isso iremos desistir ou mesmo perder o ânimo, muito pelo contário, a cada caminhada ou manifestação nos sentimos mais fortalecidos, mais maduros, experientes e maiores. Mesmo sem os apoios citados, mais pessoas aderem, se unem de forma pacífica que é a nossa forma de protestar, mas sem perder o foco que é o de tirar Cabral do Governo do Estado.
Temos sentido que o cerco está se fechando, pois a covardia de Cabral é tão grande, que se borra, literalmente, ao primeiro sinal de vaia, como foi em Tamoios, na inauguração de uma UPA, q acabou nem havendo, pois Cabral saui correndo pelos fundos e com o fundo todo sujo de marrom: pobre dos seguranças e do motorista que conduziu a viatura na “FUGA ALUCINADA e IMUNDA DE CABRAL”.
Fica aqui o protesto e também o APOIO aos familiares, amigos e companheiros de GÉLSON, o cinegrafista,o pai, o amigo se foi, mas suas reportagens, as imagens captadas por sua lente serão eternas.
Namastê,
Gilda – RJ