Três temas que não comentei porque gostaria de tratá-los no conjunto: o livro Por Uma Vida Melhor, que admite uma grande tolerância com as normas gramaticais; a decisão da Comissão de Ética de não discutir a súbita riqueza de Palocci; e a decisão do governador Cabral de estimular PMS e bombeiros gays a usarem fardas e equipamentos nas marchas.
Os três acontecimentos revelam uma certa embriaguez da vitória. Depois de dois mandatos e com chances de seguir no poder, o grupo dominante sente-se seguro para avançar e inovar.
A ausência de uma oposição forte contribuiu para isso. Os passos do governo parecem se dar numa folha em branco. Mas a ausência do choque de idéias é ruim até para os vencedores.
No caso Palocci, o contrapeso veio do judiciário: o Ministério Público decidiu que é importante examinar as explicações.
No caso do livro de português, a pressão veio da própria sociedade. Creio que a escritora Ana Maria Machado sintetizou os argumentos críticos: é o mesmo que ensinar na matemática que dois e dois podem ser cinco.
No caso de Cabral creio que ele falou do tema num dia onde há alguma tensão na área militar, por causa da greve dos bombeiros.
Não ficou claro qual a razão de ir fardado, com equipamentos da polícia numa manifestação. O argumento de Cabral é o exemplo de Nova York.
Num dia em que os bombeiros estavam pedindo um piso salarial de R$2 mil, auxílio transporte, protetor solar para os salva-vidas, a oferta da liberdade de ir fardado à marcha gay, soa, no mínimo, como uma distração.
Nesse campo das idéias e crenças das pessoas, é preciso marchar com cuidado. As facilidades não são as mesmas encontradas na luta eleitoral. A euforia da vitória e a ausência de uma oposição aguerrida podem embaralhar as coisas.
A oposição ajuda, mesmo quando ela é apenas um Sancho Pança dizendo mestre, olhe bem o que está dizendo.
Se não houver clareza do terreno em que se pisa, a luta contra a homofobia corre o risco de fortalecer o que se quer derrotar.



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