Fernando de Noronha- Sempre que venho aqui lembro-me que, no passado, o lugar foi usado para confinamento de opositores políticos.
É um lugar bonito e vem também à lembrança da ilha em que Pablo Neruda foi confinado, tema de um filme do livro de Antonio Skármeta, O Carteiro e o Poeta.
Mas logo ao chegar, constatei que a presença de um grande navio com 300 passageiros movimentou a ilha . Soube que os grandes navios chegam duas vezes por semana.

Começou a temporada dos grandes navios(foto FG)
O de hoje, segundo me disseram alguns moradores, foi um pouco mais complicado. Os passageiros não estavam informados de que não podiam descer todos para conhecer a ilha. O limite imposto pelo IBAMA é de 150.
A outra metade teve a opção de um passeio de barco. Fernando de Noronha tem três voos diários, dois da Trip, um da Gol. Os taxis aqui são bugres e estavam todos ocupados, levando três ou quatro passageiros.
Há uma novidade pós réveillon: dois guardas rodoviários de motocicleta. Na passagem de ano, morreram três pessoas em acidentes de trânsito.
O único desastre que encontrei no caminho foi um sapo atropelado na estrada que dá na praia do Sueste.
Ele morreu como se estivesse de pé, tentando escapar, depois de ferido. Mesmo que a morte do sapo seja um episódio isolado, a presença de dois guardas de motocicleta indica que há uma tensão no trânsito.

Uma vítima de atropelamento, motociclistas patrulham o trânsito.(foto FG)
Fui visitar o Hotel Esmeralda que voltou às mãos do Ibama mas, na imediações, fiquei impressionado com o que restou do alojamento dos norte-americanos em Noronha, construídos durante a II Guerra.
Alguns estruturas de metal foram ocupadas por famílias sem teto e parecem um imenso container. Outras foram destruídas, completamente, mas os despojos não foram retirados dali.
No caminho, vi que algumas casas populares foram construídas e devem ser entregues nas próximas semanas. Será que vão ser a alternativa das pessoas que ocupam aqueles containers?
Os despojos da estrutura americana deveriam ser retirados e o que restou de pé transformado numa atração turística, explicando o papel que o arquipélago teve na II Guerra.
Acabo de chegar. O navio atravessou minhas lembranças do tempo em que se confinavam opositores políticos aqui. Felizmente, não se vai confinar ninguém mais no Brasil.
Se por uma desgraça isto acontecer, espero que mantenham a tradição dos antepassados e mandem os opositores para cá. É um dos mais belos lugares do país.

Garoto e as tartarugas diante da loja do Projeto Tamar.(foto FG)


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DR. FUI EM NORONHA QUANDO ERA ADOLENCENTE .TENHO MEDO DE CAÇÃO TENHO PAVOR.MEUS TIOS ERAM CORONÉIS DO CACAU EM ILHÉUS BH. VIVA A NATUREZA SOMOS PARTE DO SISTEMA NATURAL SOMOS UM PEDAÇO DO PLANETA.