Menos de um mes depois do acidente com a Chevron, um navio fretado pela Vale do Rio Doce, o Vale Beijing está com rachaduras e corre o risco de afundar com 260 mil toneladas de minério de ferro.
O navio faz parte de uma encomenda da Vale do Rio Doce: 35 navios gigantes, com capacidade de 400 mil toneladas, destinados a transportar minério de ferro para a China.
Na verdade é todo continente asiático que está nos planos de venda, inclusive com a construção de um porto na Malásia, onde a Vale já tem um centro de distribuição.
Um diretor da Vale, José Carlos Martins, afirmou que o caso do navio é sério e que a empresa iria questionar os seus donos, a companhia sul-coreana STX e iria saber também quem autorizou o deslocamento.
O IBAMA está sendo pego de surpresa. Primeiro, o navio apresenta rachaduras no tanque de lastro, ameaça afundar e é retirado para uma distância de 10 milhas, a fim de ser reparado. Depois, o Ibama pede um plano de prevenção do vazamento de minério.
Teoricamente, a licença para um transporte desse envergadura deveria constar de um exame do plano de contenção. Possivelmente os sul-coreanos nem cogitaram disso.
No passado, éramos os vilões da floresta tropical. Estamos produzindo petróleo no mar e transportando minério por ele. Se não criarmos uma estrutura eficaz de vigilância, podermos nos tornar os vilões do oceano.
A Vale encomendou 35 navios gigantes. O Ibama precisa se organizar melhor para a vigilância no mar, assim como a própria Marinha poderia dar uma grande ajuda no processo.
O acidente da Chevron já saiu de cena; daqui a pouco, vamos esquecer o susto do Vale Beijing, no Maranhão. Os chamados políticos verdes não se comovem com o azul. Isso é uma pena pois o eixo da economia brasileira, com a descoberta do pré-sal e os intensos negócios com a China, desloca-se, parcialmente, para o mar.



2 Comments
Caro Gabeira,
Sou um admirador de tua atuação.
Esse problema tem muitos culpados (sou oficial da marinha mercante aposentado):
– Pode ter sido falha no plano de carregamento, embora eu ache dificil. Esse plano não feito com papel e caneta, já que existe um software para isso. Não sei se ainda é chamado assim, mas era + ou – o “LOAD MASTER COMPUTER”
– Quem faz o plano de carregamento (na verdade, insere os dados no Load Master) é o imediato – no minimo um capitão-de-cabotagem, um profissional pra lá de experiente, embora um piloto experiente estava no comando do avião da Air France e no acidente da TAM em congonhas.
– O projeto e construção desses navios é acompanhado pelas Sociedades Classificadoras (no caso do VALE BEIJING foi a DNV); estas seguem as normas de segurança ditadas pela IMO/SOLAS & cia
– Só depois de certificados,os navios são segurados.
– O aço da construção e as soldas são radiografadas, etc
– Se foi falha estrutural ou erro de projeto, alguem fez m……; Se assim foi, a DNV (alema) deveria ter visto isso, pois o serviço de classificação não é barato.
IMO http://www.imo.org/Pages/home.aspx
SOLAS http://www.imo.org/About/Conventions/ListOfConventions/Pages/International-Convention-for-the-Safety-of-Life-at-Sea-(SOLAS),-1974.aspx
http://www.dnv.com/services/classification/ship/
Sociedades Classificadoras http://www.enautica.pt/publico/professores/chedas/Manut/2005_2006/Sociedades%20de%20%20classifica%C3%A7%C3%A3o%20versus%20Manuten%C3%A7%C3%A3o.pdf
Desculpe o erro: a DNV é norueguesa