Às voltas com a crise econômica para escrever o artigo da quinzena no Estadão. Um jornalista americano, Michael Lewis, percorreu quatro países europeus, Islândia, Grécia, Irlanda e Alemanha e escreveu um livro com o título: Boomerang, Viagens ao Novo Terceiro Mundo.
The Guardian publica uma longa reportagem sobre o livro e o autor afirma que sua missão foi a de preparar os Estados Unidos para que os americanos saibam que estão na fila da crise.
No caso brasileiro, há muitas diferenças. Mas é insensato afirmar que a crise não terá consequências aqui. A OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) informou que, entre os emegentes, o Brasil foi o país que teve seu crescimento mais desacelerado com a crise.
Com a crise batendo no mundo, algumas coisas ficam mais caricatas no Brasil. O Globo diz hoje que o dinheiro da saúde está sendo usado para vale transporte e até para comprar skate.
Ontem, falei dos custos da reforma do Planalto, inflados em 43 por cento e também da verba de telefones dos deputados: R$13,9 milhões em oito meses.
Sarney na sua entrevista a Zero Hora afirmou que alguns privilégios aos parlamentares eram uma espécie de homenagem da democracia. Nesse caso, a Suécia não é democrática ou se recusa a homenagear parlamentares.
Lá o exercício do mandado dá direito a um lugar para morar e olhe lá: é preciso lavar a própria roupa e limpar a cozinha coletiva, depois de utilizá-la.
Sarney diz também que seu governo foi contra a censura. Esquece de dizer que proibiu o filme Je Vous Salue Marie, de Jean Luc Goddard. Cheguei a ser preso pela PF por exibir o filme, num ato de protesto, logo não posso estar enganado.
Enquanto a crise caminha, o Rio quer R$3 bilhões para Segurança, até 2016. As contas estão sendo feitas para as Olímpiadas.
No entanto, espera-se neste verão a maior epidemia de dengue na história da cidade. O prefeito Paes anunciou que isso iria acontecer pois, pelo menos, quando acontecer tem a desculpa de ter previsto.
Se no verão contamos com a epidemia já era tempo de uma concentração no tema. Da mesma forma, é preciso concentrar na defesa civil: como as encostas na Serra não foram reparadas, as chuvas podem trazer desastres mais fatais que a própria dengue.
O clima no país ainda é de euforia com o crescimento econômico. Alguns analistas chegam a dizer que o movimento contra a corrupção não avança porque estão todos contentes com o progresso.
Nem o verão que se aproxima, com tempestades e dengues, abala a a confiança, o que dirá a crise ainda restrita a exóticas manifestações na Europa e nos EUA.
A ditadura militar era mais clara na sua alienação. O Brasil, diziam, é uma ilha de prosperidade num mundo em crise.
John Donne, nos seus famosos versos, dizia que nenhum homem é uma ilha. Imaginem um país de dimensões continentais, envolvido até o pescoço no processo de globalização da economia.



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