Diante do volume e da urgência das obras para os grandes eventos, o governo Cabral tentou aprovar um projeto destinado a facilitar o licenciamento ambiental.
O projeto foi questionado na Assembléia e o governo recuou. O recuo foi bom para todos. Copa do Mundo e Olimpíadas são julgadas, internacionalmente, pelo respeito ao meio ambiente.
É compreensível que o governo tenha ansiedade com os prazos das obras, porque ele é muito cobrado por isso.
Mas terá de resistir aos impulsos de mudar ou atropelar a lei. Um ponto que sempre vê com reserva é a necessidade de realizar relatórios de impacto ambiental.
Esses relatórios incomodam não apenas porque demandam esforço técnico. Incomodam porque, legalmente, a população tem ser ouvida.
Isso, às vezes, aparece para o governo como uma perda de energia e tempo porque os opositores das obras podem usar esses mecanismos para retardá-las.
O Morro da Providência e toda a região portuária que estão passando por um processo de modernização, são um exemplo. Os moradores querem ser ouvidos e obtiveram esse direito na justiça.
Também em Ipanema, moradores tentam de todas as maneiras oferecer sugestões à estação da linha 4 do metrô na Praça Nossa Senhora da Paz.
As visitas que fiz ao Morro da Providência revelaram que a população não se opõe às obras mas quer apenas um canal para discuti-las, com informações adequadas. Cerca de 832 famílias terão de sair do morro e isto traz ansiedade e insegurança sobre o futuro.
Seria injusto atribuir a pressa do governo à uma tendência antidemocrática ou mesmo predatória. O que existe é o medo de que as obras atrasem e seu prestígio de administrador sofra um abalo.
O legado dos grande eventos não pode ser uma legislação mais frouxa. O próprio Carlos Minc ficou aliviado com o recuo do governo porque o projeto abria brechas por onde entrariam os predadores.
Os grandes eventos têm o apoio da maioria da população. Eles podem aumentar o prestígio do Rio e conquistar, como aconteceu em Barcelona, um lugar de destaque no mercado internacional de turismo
Tudo isso é muito bom. Mas não vale o preço de desarticular a legislação
Artigo publicado no Metro em 17/12/2012



Comment
Gabeirinha, vc está sendo muito gentil c/ nosso Governador. A democracia dá trabalho. É mais fácil ser ditatorial, não precisa escutar “esse povinho”, em prol de sua vaidade. Tem também a história dos novos bondinhos de S. Teresa que foram condenados e ele vai botar na marra. Que defesa ambiental nada, ele é um ambicioso irresponsável. Se tivesse um pouco de tutano não iria mexer na perimetral. É ou não é????