A ideia é falar muito do mundo e do pais e apenas o essencial do lugar onde moro. No entanto, reportagens na revista Veja e no Globo de hoje indicam que há muita suspeitas nas construções das chamadas UPAs (Unidade de Pronto Atendimento) e das sedes das UPPs, as unidades policiais de pacificação.
Veja informa que as estruturas metálicas pré- moldadas são encomendados a uma empresa chamada Metalúrgica Valença mas são fabricadas por outra empresa, em Barra do Pirai. Uma delas, que é apenas uma fábrica de notas frias, recebeu isenção fiscal de R$45 milhões.
Mas a revelação mais estarrecedora é a do Globo: os hospitais de lata custam mais que os hospitais de alvenaria. O metro quadrado de um hospital de lata sai por R$2.385 e o de alvenaria, R$1.900.
Essas coisas sempre foram insinuadas no discurso da oposição mas agora aparecem com toda a clareza. Os gastos com as UPAs, adotadas também como modelo no programa de Dilma Rousseff, são muito altos. Talvez por causa disso, o governo construa tantas UPAs, mesmo sem dispor de funcionários de saúde para fazê-las funcionar. Algumas estão ainda vazias, à espera de gente treinada.
Na mesma semana em que batemos tanto na questão da corrupção na serra fluminense, o governo do Rio afirma que vai pedir à Brasília R$688 milhões para obras de contenção em 700 encostas.
As denúncias se sucedem, mas as verbas continuaram fluindo porque são necessárias. A única esperança é o controle da própria população. Em Teresópolis foi impossível fazer uma CPI independente; em Nova Friburgo a experiência foi melhor sucedida.
Só uma séria investigação sobre o uso das verbas pode garantir um comportamento diferente. As obras de contenção representam a salvação de muitas vidas. As verbas de saúde, usadas na criação de UPAs enlatadas, também significam salvação de vidas, se melhor empregadas.
Foi tanta propaganda em torno das UPAs. Se o Globo anexasse o dinheiro da propaganda ao preço desses containers não seriam apenas mais caro que hospitais de alvenaria. Custam tanto quanto um prédio de luxo.
UPAs e UPPs são os dois pontos centrais na propaganda do governo estadual e consomem também algum dinheiro na propaganda federal. Só no Estado do Rio, são gastos R$150 milhões anuais em propaganda do governo Cabral.
Com o tempo, as coisas ficarão mais claras.




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