Quando a política mexe com o cotidiano, todos são chamados a comentar. E o futebol? A estreia de Ronaldinho Gaúcho, na noite de quarta-feira, não apenas mobilizou 37 mil pessoas que foram ao Engenhão, mas alterou até o esquema de transporte coletivos. Mais frequentes e com mais vagões, os trens foram colocados pela empresa Supervia, sem que houvesse nenhuma pressão sobre ela.
Na manhã de quarta, dia em que Ronaldinho estreava ganhando R$ 1 milhão mensais e mais R$ 800 mil em participações, a butique do clube Flamengo estava deserta. Sentados na porta, funcionários esperavam o fim de um apagão que durou mais de 16 horas.
Na mesma noite em que o Corinthians era derrotado na Colômbia, torna-se uma pergunta chave: até que ponto a repatriação de craques brasileiros pode recuperar o brilho do futebol nacional? É um consenso de que não é mais tão bom como no passado. Nas colunas esportivas do Rio, onde a estreia de Ronaldinho foi uma grande notícia, alguns apontavam para renovação como uma das saídas. Davam como exemplo a seleção sub-20 que se destaca no momento no Peru. Mas nem precisavam: o próprio time do Nova Iguaçu, que deu uma canseira e quase ganhou do Flamengo – perdeu por 1 a 0 -, só tem jogadores jovens, o mais velho fez 25 anos.
O discurso patriótico na televisão ligava a volta de Ronaldinho ao crescimento econômico do Brasil. A ideia subjacente é que o País já pode, através da engenharia financeira, rivalizar com os salários europeus. Sem revelar que é um caso especial, que a média na Europa é superior e lá os clubes têm uma estrutura mais sólida e profissional.
Antes do jogo, o preparador físico do Flamengo anunciou que Ronaldinho iria substituir o fôlego pelo talento. Na verdade, ele correu cinco quilômetros no primeiro tempo, indicando que está perto da forma. Mas logo depois do anúncio, quando o time entrou em campo, Ronaldinho recebeu a faixa de capitão do time. É uma clara indicação de que os brasileiros repatriados serão valorizados não apenas por sua forma física, mas pela experiência adquirida nas competições internacionais. Alguns minutos depois, o Corinthians entrava em crise, inclusive pelo caminho escolhido com o projeto Ronaldo Fenômeno.
Os craques brasileiros têm um grande papel, mas as circunstâncias nem sempre permitem que se invistam nas categorias de base. Sem renovação e sem um time mais homogêneo em termos de salário, só o marketing segura o interesse da plateia. Tudo indica que só marketing apenas não ganha jogo. O Nova Iguaçu esteve perto de demonstrar isto.



2 Comments
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O treinador j deu algumas pistas de que o esquema 4-2-3-1 de ser o mais utilizado uma vez que vem escalando trs meias ofensivos com apenas Deivid no ataque……No entanto as opes para o setor so muitas.