O Flamengo vive uma crise: tem uma grande torcida nacional e um time de futebol mediocre. A crise expressa essa contradição.
A torcida sempre foi considerada um fator positivo. Sua existência ajuda a conquistar patrocinadores e torna a marca do Flamengo potencialmente mais lucrativa.
Tudo indica que ao Flamengo não faltou dinheiro. Foram feitas muitas contratações mas a maioria delas se mostrou um equívoco.
No banco de reservas, há gente ganhando R$500 mil por mês. O clube tentou a fórmula nacionalmente consagrada de trazer grandes nomes do exterior. São craques brasileiros cuja carreira está em declínio lá fora.
A grande cartada do Flamengo foi a contratação de Ronaldinho Gaúcho. Ela teria o poder de encantar a torcida, facilitar patrocínios e dinamizar a venda de produtos com a marca do clube.
Com o fracasso da vinda de Ronaldinho e o agravamento de sua crise, o Flamengo voltou-se para Riquelme. Existe uma crença de que o time será salvo por um excepcional camisa 10.
Riquelme não veio porque percebeu, ao ver o Flamengo jogar contra o Corintians, que a mediocridade do time não pode ser salva por uma só pessoa.
O Flamengo talvez não compre um grande camisa 10 porque fechou a janela de transações internacionais. Será forçado a buscar solucões dentro do Brasil e do próprio clube.
A sucessão de fracassos pode conduzir o Flamengo a fazer a coisa certa: um time basicamente de jovens. Um dos únicos aspectos positivos que restaram ao Flamengo é o talento de sua garotada.
Sem condições de fazer grandes compras no mercado nacional, em pleno Brasileirão, o Flamengo poderia investir em jovens talentos, deixando no time apenas alguns jogadores experientes que se mostraram capazes, como Vagner Love e Leonardo Moura.
Dirigentes de futebol são como politicos que se recusam a investir no saneamento básico porque é um serviço que não aparece.
É muito mais fácil atenuar a frustração da torcida com um grande nome em final de carreira. Assim como é mais fácil para os politicos construir grandes obras em que todos vejam e reconheçam sua inspiração.
A vantagem de um time jovem é sua tendência a melhorar com o tempo. A desvantagem de um time apenas mediocre é sua tendência a piorar.
O Flamengo tem de escolher como tentará escapar do rebaixamento, ameaça real para um time que, mesmo quando ganha, é dominado pelo adversário, como no caso do jogo contra o Bahia.
As chances de ser campeão brasileiro na temporada são mínimas. E torcidas grandes como a da Flamengo exigem um time pelo menos competitivo.
O clube está diante de um dificil escolha, que poderia se chamar a escolha de Patrícia: obter um lugar modesto com um time mediocre ou com jovens que tragam esperanças para o futuro.
Na impossibilidade de utilizar a velha forma do salvador que vem de fora, a saída é demitir o técnico Joel Santana, o que equivale a tirar o sofá das ala.
Cartolas e politicos falam a mesma língua. Mas existem paises bem governados e time vitoriosos como o Barcelona.
É possível acertar. Mas depende de um plano de longo prazo e da coragem de correr riscos.




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