Cheguei a São Paulo no auge de uma ventania e o avião não pode descer. Ficamos algum tempo no ar, descemos com muito atraso.
Passei algumas horas no Rio, troquei de mala e vim para Porto Alegre, onde farei uma palestra. Aqui as cinzas do vulcão chileno Puychue cancelaram todos os vôos para Porto Alegre.
Azar? Não exatamente. O conceito de azar depende da profissão que você exerce. Sou jornalista voltando ao trabalho de rotina, depois de alguns anos.
Como jogador de futebol que fica muito tempo longe dos campos, a readaptação é lenta. Primeiro você joga 20 minutos, depois um tempo inteiro e assim por diante, até entrar de novo em forma.
A readaptação no jornalismo é mais complexa que no futebol. Houve uma revolução técnica no meio do caminho e hoje além de escrever e fotografar, como no passado, é possível fazer vídeos e falar na tevê do website.
A grande batalha do jogador é para estar com a bola. Quando a bola começa a procurá-lo, ele se sente privilegiado. Assim também é o jornalista, quando as notícias aparecem no seu caminho é para ele como se a bola procurasse o jogador.
Vulcões e ventanias não têm a forma arredondada e sensual de uma bola. Mas é a vida, cada um na sua profissão.


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