De novo na estrada, desta vez em viagem para a Amazônia. Meu objetivo é a região chamada Cabeça do Cachorro, no extremo noroeste do Amazonas.
A região foi tema de um belo livro de Araquém Alcântara e Dráuzio Varela. Ela se chama Cabeça do Cachorro porque demarca dos limites do Brasil com a Colômbia e Venezuela e a linha da fronteira no mapa parece a cabeça de um cachorro.
Trata-se de uma área de 200 mil quilômetros quadrados, com mais ou menos 40 mil pessoas. Já a visitei com a ajuda do Exército. Mas preciso voltar a ela, porque quero aprender mais sobre as fronteiras do Brasil.

Cabeça do Cachorro, em ilustração de Cadu Tavares
Se tudo certo, com o tempo visitarei novas fronteiras e farei um trabalho mais amplo. Por enquanto, pretendo publicar um texto no Estadão e continuar pesquisando.
Fiz muitas viagens à Amazônia, algumas para enterrar defensores da floresta, como Chico Mendes e Dorothy Stang. Mas cada vez que vou percebo como é preciso conhecer um pouco mais o território e as pessoas.

Um casal ribeirinho no rio Trombetas.(foto FG)
Viagens ao Xingu e ao Trombetas, onde fui para documentar a reprodução das tartarugas, foram muito interessantes no passado.
Da mesma forma, Xapuri e Anapu, onde morreram Chico e Doroty, foram esclarecedores sobre as violentas reações às mudanças no trato com a floresta.
Desembarco na cidade de São Gabriel da Cachoeira, onde 90 por cento da população é de indígenas. Na região, há 23 etnias e falam-se quatro línguas: português, nheengatu(inspirada no tupi),tucano e baniwa.

Uma das faces no Xingu, em dia de Quarup.(foto FG)
Durante este período de viagem, dificilmente poderei comentar os acontecimentos. Há conexão de internet, mas passarei o dia trabalhando em lugares remotos e só voltarei a São Gabriel ao anoitecer.
O blog, nesse período, terá o foco no aprendizado da viagem.


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