Complicada a situação da cúpula policial no Rio. O chefe de policia Alan Turnowski, que deveria pedir demissão, resolveu fechar a Delegacia de Combate ao Crime Organizado. É uma represália contra o titular da Draco, Cláudio Ferraz, o homem que comandou a desarticulação de algumas milícias, grupos de policiais que dominam comunidades na Zona Oeste e outros pontos do Rio.
Ferraz conseguiu, com sua equipe, prender 676 milicianos, metade deles agentes policiais. Tornou-se co-autor do livro Tropa de Elite2. Nas conversas de bastidores, Ferraz é considerado um dos melhores delegados que a policia do Rio. Ele passou por vários cursos nos EUA.
Ter cursos no exterior parece não ser uma qualidade em si. Carlos Antônio de Oliveira, delegado que foi preso por chefiar milícia, também os tinha.
Mas até o momento, a capacidade de Ferraz era indiscutível e seu nome foi várias vezes mencionado para substituir Turnowski e realizar o processo de depuração da policia do Rio, algo feito apenas parcialmente com a prisão do ex-chefe Álvaro Lins.
O que está havendo nesse momento é uma crise muito grave. Turnowski foi chamado a depor na Policia Federal. Saiu dizendo que a PF queria apenas dados sobre a rotina da policia. E a imprensa acreditou. Como é possível imaginar que após uma operação que resultou na prisão de três dezenas de policiais, a PF não tinha idéia da rotina da policia do Rio?
Tudo indica que a decisão de Turnowski de fechar a Draco e acusar Cláudio Ferraz seja apenas uma tática para incriminar todo mundo e, com isto, atenuar as suspeitas que pairam sobre ele. É um movimento comum na política.
Alguma coisa deve acontecer nas próximas horas. E tomara que a crise seja um passo a frente nesse longo processo de combate ao que Luis Eduardo Soares chamou de “banda podre da policia do Rio”.


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