O ONU está com 11.500 soldados na Costa do Marfim. Ocupa o aeroporto de Abidjan. Apesar da presença de suas tropas não conseguiu evitar o massacre de cerca de mil pessoas, pelas tropas do ditador Laurent Gbagbo. Os Estados Unidos pediram a Gbagbo para deixar o poder, a ONU reconhece a eleição de seu adversário, Alassane Quattara mas a situação não se resolve.
O caso da Costa do Marfim mostra como as forças internacionais têm um poder limitado. Na Líbia, por estarem bombardeando de cima, matam também civis e os próprios rebeldes. Em Abidjan, onde os combates são mais ferozes, os capacetes azuis tomaram o aeroporto que é um ponto estratégico. Mas já foram atacados por partidários de Gbagbo.
Imagino que a posição brasileira seja idêntica à da ONU, reconhecendo a vitória de Quattara e exigindo a saída de Gabgo. Mas até o momento, não vi nenhuma notícia sobre isto. Lula visitou a Costa do Marfim, que é grande produtor de cacau. Manteve conversações com Gbagbo. Foi criticado por isto. Mas o episódio se encerrou. Ou a visita foi apenas protocolar e não valia pena tanto esforço, ou o Brasil queria mesmo se ligar ao continente africano. Nesse caso, o que me parece mais provável, seria preciso dizer alguma coisa. Ou então reconhecer que não era visita protocolar, mas apenas de negócios. O diabo é que vivemos num mundo em que os negócios estão mesclados com guerra, tirania, grandes esperanças democráticas.
Há cerca de dois meses, escrevi sobre o tema, anunciando que havia fugas em massa. Naquele momento ja havia um grande número de gente na estrada, hoje são 900 mil. De um modo geral, uma definição do governo é provocada pelo Congresso. Se os parlamentares deixaram passar em branco as rebeliões no mundo árabe, é possível que se deem conta tarde demais da tragédia em Costa do Marfim.



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