O início das chuvas de verão aciona uma série de atitudes esquecidas. Uma delas é a constatação de que os governos pouco fizeram depois da tragédia na serra, em 2011.
Durante todo o ano, mês a mês, foi possível acompanhar a lentidão do processo. O verão chegaria e as cidades da serra estariam vulneráveis às chuvas.
Com algumas exceções na imprensa,ela cobre as tragédias apenas enquanto ainda há gente morrendo e sendo enterrada.
Passada esta fase, as matérias vão se reduzindo e desaparecem. Daí a indignação de muita gente que descobriu agora que nem as obras foram feitas nem as pessoas reinstaladas de uma forma estável.
No governo federal, não se aprendeu muito. O Ministro do Interior de Lula, Geddel Vieira Lima, protegeu seu estado, canalizando mais dinheiro para a Bahia.
Um ano depois, constatamos que o novo ministro, Fernando Bezerra, do PSB, destinou 90 por cento da verba para seu estado, Pernambuco.
Ontem, a ministra da Casa Civil, Gleise Hoffmann interrompeu suas férias e voltou para a Brasília. Dizem os jornais que ele pediu ao ministro Fernando Bezerra que também interrompesse suas férias.
Fiquei perplexo esta notícia, da mesma forma que me surpreendeu a informação de que ele destinou 90 por cento da verba para Pernambuco.
Um ministro do interior que tira férias nesta época do ano esta totalmente fora da realidade. Nas cidades do noroeste do Rio, como Itaperuna, as enchentes são um acontecimento esperado todo ano, na mesma época.
As chuvas têm uma capacidade de acionar o psicodrama nacional. Os governos relaxam e a a população descobre que quase nada foi feito. Alguns editoriais, alguma reclamação e ,quando as chuvas passam ,cai tudo de novo no esquecimento.
Essa cultura é difícil da mudar. Pode ser que neste verão as grandes chuvas sejam mais esporádicas. Os rios Pomba e Muriaé, por exemplo, tendem a baixar nas próximas horas.
Esperam-se novas chuvas, em Minas, nos próximos três dias. Com a perda do intervalo de um ano, só nos resta trabalhar nessa pequena margem de alguns dias, entre uma chuva e outra.
Alguns passos foram dados. Na serra fluminense, pelo menos, o sistema de alarmes tenta mobilizar a população. Em Minas, o plano especial para as chuvas, contribuiu para evitar mortes.
O avanço existe mas ainda é pequeno para os temporais que nos esperam.



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