Sou um cronista visual da Lagoa. Já vi lindos movimentos de garças mas passei por terríveis mortandades de peixe.
No feriado, antes do trabalho na marcha contra a corrupção, resolvi dar uma olhada na margem. Na madrugada, houve uma forte tempestade.
Aqui é fatal: choveu, sujou. Parte do lixo, restos de jornal e lata de alumínio devem ter sido arrastados da margem pelo vento.
De um modo geral, as latas de alumínio são catadas para a reciclagem e há quem recolha também papel velho.
No entanto, alguns blocos de lixo urbano indicam que a vulnerabilidade da Lagoa é muito maior. As aves têm de romper alguns blocos para avançar na água. Gostaria de acreditar que são mutantes e vão sobreviver a isto com um estômago de ferro.
Tartarugas examinadas pelo Projeto Tamar mostram que a maioria delas morre com plástico no estômago.
O estômago das aves da Lagoa deve ser atingido também, porque elas estão em busca de comida mesmo nos blocos de lixo.
Há um trabalho de recuperação da Lagoa, voltado para suas águas e margem. Temo ser um trabalho de Sísifo se não houver uma intervenção mais ampla para protegê-la.
Enquanto discutimos isto, pelo menos registro os principais momentos da Lagoa, inclusive antigas tubulações de esgoto que a envenenaram durante tantos anos.




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