Imaginem se acontecesse em outro país o que se passa agora na Venezuela. O presidente Hugo Chavez sofreu uma operação de emergência em Cuba, há duas semanas, e ainda não definiu sua data de volta.Nem os médicos disseram, exatamente, o que Chavez tem.
A oposição, no mínimo, está exigindo que o vice-presidente, Elia Jaua, assuma o cargo. Ele é tão radical quanto Chavez mas esse não é o problema. O problema é respeitar a Constituição.
As crises, conforme prevíamos no início do ano, estão se agravando na Venezuela. A mais aguda no momento é a crise penitenciária, com dezenas de mortos, na prisão Rodeo .
Nos dados do princípio do ano, as vagas efetivas nas prisões da Venezuela eram 13 mil, mas havia 45 mil prisioneiros, mais que o triplo da capacidade máxima.Nas ruas de Caracas, ontem, a polícia reprimiu manifestação de médicos, com gás lacrimogêneo
O que está confuso na Venezuela é determinar a verdadeira causa da doença de Chavez. Um abcesso na região pelviana pode ter inúmeras razões. Mas a maioria delas não implica em tanto tempo de internamento e impossibilidade de viajar.

Com Chavez doente no estrangeiro, Venezuela está confusa.(foto FG)
Os venezuelanos estão assustados com a longa presença de Chavez em Cuba. Seu presidente está nas mãos de medicos de um país estrangeiro e autoritário, sem nenhum compromisso com a transparência.
O irmão de Chavez, Adan, governador de Barinas, voltou de Cuba dizendo que o presidente está bem mas só será liberado pelos medicos em julho.
Isso está provocando um vazio na Venezuela. Chavez não tem substituto na campanha presidencial e a oposição não tem mais seus discursos e atos para criticar.
Mas a nebulosidade em torno da doença de Chavez e os procedimentos da medicina cubana revelam como o direito de conhecer a saúde dos dirigentes é inexistente na Venezuela. Ainda falta democracia no país.


Leave a reply