Não vejo o Big Brother mas não reclamo de quem vê. Simplesmente, tenho muito trabalho e gosto de outras coisas.
Mas a presença maciça dos episódios do Big Brother na imprensa e nas conversas cotidianas, me fazem participar do debate.
É preciso paciência com um não expectador, que desconhece todos os mecanismos e encantos do programa.
Minha tese: o escândalo de um possível estupro favorece o programa e sua popularidade. Seu principal objetivo é ganhar audiência e pronto.
Max Weber fala do fim das ilusões sobre o caminho do ser, o caminho do deus verdadeiro e sobre a dificuldade da ciência de ocupar esta lacuna. E pergunta se a ciência poderia preencher o espaço.
Cita Tolstoi, o escritor russo que diz: não há chance porque a ciência não responde à única questão importante para nós: o que devemos fazer, como devemos viver?
A televisão tenta responder a essas perguntas o dia todo. Desde a mulher com um papagaio ensinando a fazer bolo, passando pelos jornais noturnos onde economistas nos ensinam a pesquisar preços e a não gastar mais do que ganhamos.
O Big Brother está cumprindo esta função para milhares de expectadores. O que é um estupro? Quais são as condições necessárias para que se dê? O que é uma pessoa vulnerável? Vulnerável é o mesmo que inconsciente?
Existe uma lei sobre isso. Mas a lei só ganha vida, quando é discutida através da televisão.
Ao contrario da inquietação de Tolstoi e Weber não é a ciência que modernamente diz como devemos viver. É a televisão.
Os dois intelectuais não estavam interessados em veículos de comunicação, mas em comparar religião com ciência, queriam determinar as fontes que orientam nossa vida.
A televisão usa tudo: ciência,religião, drama para responder a essas recorrentes questões: o que fazer? Como devemos viver?
O Big Brother com relações mais delicadas e completas do que entre a mulher e um papagaio, acaba sendo um espaço para discutir valores num mundo onde as referências se perderam.Quando grande parte do país discute o que se fez, no escuro, embaixo de um cobertor, é porque há um grande interesse no tema. Ainda mais quando os participantes dos movimentos ondulatórios sobre as cobertas afirmam que foi tudo consensual.



9 Comments
fico aqui a refletir sobre uma sociedade que precisa da TV para ocupar a lacuna sobre “o fim das ilusões sobre o caminho do ser, o caminho do deus verdadeiro” e, mais precisamente, que usa um programa tão vazio quanto o BBB para se engajar em discussões tão sérias quanto essa, do estupro, como se precisássemos ligar a TV para ter motivos para se indignar, para refletir, para discutir as leis…
Concordo plenamente com Mariana e fico bastante decepcionada com o escrito desta pessoa pública!
minha decepção não é com o Gabeira, que entendo que seja a pessoa pública a qual vc, Maria, se refere.acima. infelizmente, temos que concordar que a afirmativa contida neste texto do Gabeira é ordem do dia!
minha decepção é com a sociedade a qual ele, Gabeira, se refere no texto e, mais precisamente, minha decepção é com o indíviduo que, para indignar-se, precisa sentar em frente à TV.
Justamente. Mariana você falou tudo. Como no artigo ” Minha tese: o escândalo de um possível estupro favorece o programa e sua popularidade. Seu principal objetivo é ganhar audiência e pronto”. Concordo plenamente com a visão de Gabeira. E outra ” O Big Brother com relações mais delicadas e completas do que entre a mulher e um papagaio, acaba sendo um espaço para discutir valores num mundo onde as referências se perderam.Quando grande parte do país discute o que se fez, no escuro, embaixo de um cobertor, é porque há um grande interesse no tema. Ainda mais quando os participantes dos movimentos ondulatórios sobre as cobertas afirmam que foi tudo consensual”. Pessoal vamos estudar, vamos trabalhar, vamos fazer DIFERENTE dos demais brasileiros!!!!
SENSACIONAL disse tudo…..
[…] https://www.gabeira.com.br/wordpress/2012/01/big-brother-e-o-mundo-desencantado/ Share this:TwitterFacebookGostar disso:GostoSeja o primeiro a gostar disso post. from → Destaque ← Mar não está para peixe onde se explora o pré-sal Ainda sem comentários […]
Ponto de vista bastante interessante do Gabeira, mas sou um pouco radical quanto ao BBB. Um lixo de programa, para um lixo de emissora.
Discutem coisas inúteis e pontos de vista articulados para manter todos ligados nos patrocinadores e fazer a mecanismo financeiro girar, ganhando assim dinheiro aos montes.
Apesar de utópico, o legal seria falar como minha mãe na mesa de jantar quando o papo estava ruim: “… próximo assunto!”
BBB não merece nem ter discussão… mas isso é utópico. Sempre haverá bobo pra tudo.
Acho que a questão da discussão sobre o programa é um pouco maior do que isso, Gabeira… Nunca assisti sequer a um minuto de Big Brother. O fato de haver mais uma polêmica envolvendo o programa não vai fazer quem não assistia o programa passar a assistir a ele. E, infelizmente, nesse caso, muito provavelmente não fará q
Acho que a questão da discussão sobre o programa é um pouco maior do que isso, Gabeira… Nunca assisti sequer a um minuto de Big Brother. O fato de haver mais uma polêmica envolvendo o programa não vai fazer quem não assistia o programa passar a assistir a ele. E, infelizmente, nesse caso, muito provavelmente não fará com que quem já assistia ao programa mude de hábito.
Na transcrição do áudio da declaração da moça que apareceu em várias matérias, ela disse que, caso tenha havido sexo, ela estava desacordada. O que seria o bastante para que se levantasse uma investigação por estupro.
Mas a questão é um pouco maior que essa: a emissora que transmitiu um possível estupro foi ou não foi responsável pelo que aconteceu – uma vez que havia uma grande quantidade de funcionários literalmente vendo tudo e que poderiam ter impedido um crime? Em que medida as pessoas que declaram que “tudo foi consensual” não temem perder uma soma de mais de um milhão de reais? Porque a emissora de televisão pôde obstruir a investigação?
Acho que ao se mencionar esse debate não se pode perder esse ponto da discussão que foi relevado em seu texto.