Santiago – A Cordilheira dos Andes ainda está bastante gelada. Um vento frio espalha as folhas das árvores nuas. Meu primeiro destino foi a esquina de Macul com Grécia, onde costumam acontecer alguns conflitos.
Não havia ninguém, mas a Universidade Tecnológica estava protegida pelas cadeiras e cobertas de cartazes. Em outros lugares, como liceus, vi também esse tipo de barricada.
Há uma ligeira esperança no diálogo aberto pelo Presidente Sebastián Piñera. Deve começar terça feira.
Amanhã vou encontrar alguns estudantes e percorrer as ruas. Segunda feira é sempre um dia mais cheio. Fiz um texto para o Estado e continuarei acompanhando as coisas por aqui.
Pela minha experiência, esses diálogos não costumam prosperar. Mas são uma espécie de fôlego tanto para o governo como para o movimento.
É difícil fazer demonstrações todo o tempo. Há três hipóteses: chega-se a um acordo com resultados imediatos, acordo com resultados futuros ou não acordo.Os estudantes, por exemplo, querem a queda do Ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter. Se ele cair na terça, podem se sentir atendidos e continuar a conversar. Eles o consideram responsável pelos Carabineros, instituição acusada da morte de Manuel Gutierrez Reinoso, a única vítima fatal dos choques do fim de semana.
O problema que os estudantes manifestam são os acordos para o futuro que o governo pura e simplesmente pode descumprir. O diálogo será filmado e passado na internet ao vivo, se depender dos estudantes. De qualquer forma, no mínimo será gravado, o que dará base para cobranças futuras.
Caiu o sistema da TAM de manhã, cheguei uma hora atrasado e foi dificil realizar tudo a tempo. Amanhã volto com mais calma.




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Fernando, deve ser o Instituto Pedagógico , a nao ser que mudou o nome . Legal vc estar por ai. Abraços