Quando Dilma disse que o passado já passou, tinha um leve sorriso nos lábios. Ela sabia que Carlos Lupi continuaria sendo acusado de várias coisas pela imprensa e que o passado viria puxar sua perna.
Essa foi minha leitura. Dentro do Palácio do Planalto, a capacidade de análise política não é das mais fortes. O que não desmerece a inteligência de cada um dos formuladores.
O que dificulta a fluidez do pensamento é o velho hábito de considerar tudo a partir da contradição. A contradição move o mundo, está presente até nas invisíveis frações de um átomo, afirmam os teóricos do passado.
O PT viu nas denúncias contra Lupi o adversário de sempre: as elites. E resolveu resistir porque está em luta com as elites e tudo o que acontece é uma expressão dessa luta.
Se substituirmos o termo elite, para imperialismo americano, veremos que Chavez usa o mesmo método, embora o presidente da Venezuela atravesse, com frequência, as fronteiras da paranoia, atribuindo aos americanos a capacidade de produzir terremotos.
Quando você se define pelos adversários, não importa quem sejam, gregos, romanos, ou vendedores de pamonha, o caminho do erro está pavimentado.
A presença de Lupi é insustentável porque ele não tem condições de ser Ministro do Trabalho. Ninguém afirmou o contrário. Lupi continuava apenas como prova de resistência “ao golpe das elites”.
Foi este o tom dos discursos entre os jovens do PT, quando homenagearam o ex-Ministro José Dirceu, que, por sua vez, afirmou que as denúncias de corrupção são uma onda de moralismo.
O mesmo que Brizola disse sobre Lula, José Dirceu e seus companheiros, no passado: o PT é a UDN de macacão.
O Brasil perdeu um pouco o senso da realidade. Quando Lupi fez aquele cena na Câmara, para mostrar, que não conhecia o dono das ONGs, Adair Meira, ele o fez de uma forma tão ostensiva, que levaria qualquer psicólogo de botequim a concluir que estava mentindo.
Lupi abriu um papel e nada viu nele. Em seguida, Lupi abriu outro papel, e nada viu. Voltou ao primeiro papel e perguntou: como é o nome dele? do senhor…? Adair.
Lupi estava fazendo um esforço extraordinário para se desvincular de Adair. Buscou seu nome nos papeis para mostrar que não o localizava nem em suas anotações. Em seguida, hesitou sobre o nome, como se fosse algo muito remoto para ele. E, finalmente, o chamou de senhor para simular distância.
Lupi queria bala, apareceu o Bala da Rocha, deputado do PDT: juntos legalizaram no Amapá sete sindicatos falsos, isto é de atividades que não existem no estado.
Surgiu a foto de Lupi no avião em Grajaú. Surgiu o vídeo de Lupi, no avião em Grajaú. É uma cidade do Maranhão que faz fronteira com o Piauí . Os dois estados são separados ali pelo rio Gurgeia. Estive por lá, quando o vale do Gurgeia queria se separar do Piauí.
Grajaú é o Waterloo de Lupi e dos estrategistas do Planalto que o mantinham, como um fósforo frio, até a reforma de janeiro, para não capitularem diante da “elite golpista”.
O grande adversário, quase sempre, está dentro de nossas cabeças. Cada minuto de Lupi significa meses de desgaste. É pegar ou largar. De preferência, em Grajaú, no Maranhão.



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O senhor não vai comentar nada sobre o vazamento da Chevron?